Olívio Dutra sempre foi exemplo de homem público. Possuidor de integridade e moral, inabaláveis, capaz de nos fazer orgulhar de haver homens públicos assim no Brasil. Não há dúvidas que Dutra reúne todas as condições exigidas a um chefe de estado e governo. Provavelmente mais que qualquer um dos presidenciáveis de 2010.
Todavia essas virtudes não o pouparam de infortúnios nos últimos anos. Não teve o devido reconhecimento do governo Lula que, em julho de 2005 no início da “crise do Mensalão”, o retirou do Ministério das Cidades – uma das melhores criações do primeiro mandato de Lula e antiga reivindicação dos movimentos populares ligados à questão da moradia – para acomodar em seu posto Márcio Fortes, indicado por Severino Cavalcanti com o aval do PP.
Antes, entre 1999 e 2002, governara o Rio Grande do Sul sendo bombardeado dia e noite pelo Partido do Capital – a mídia oligopolizada. Podemos inclusive afirmar que naquela ocasião o Partido do Capital usou o Rio Grande do Sul como cobaia, dali em diante colocaria em prática tática similar – denuncismo, difamação, calúnia, destruição de reputações, patrulhamento ideológico, disseminação de preconceito etc, – contra a ex-prefeita de São Paulo Marta Suplicy (nesse caso, como no de Dutra, com sucesso) e contra o governo do Presidente Lula (nesse caso com insucesso).
Dutra enfrentou com galhardia e obstinação o neoliberalismo no seu auge, por conta disso também viu seu governo estadual sofrer as mais diversas retaliações tanto do governo federal – à época FFHH – quanto da comunidade internacional adoradora do “deus Mercado”.
E é justamente sobre esse período, mais precisamente sobre a desistência da montadora estadunidense Ford de se instalar em solo gaúcho, que Dutra fala fartamente em entrevista exclusiva concedida a Agência Brasil de Fato. É sempre bom lembrar, antes mesmo de ler a entrevista, que tal desistência fora vendida pelo Partido do Capital como apocalipse para economia do estado.
Leiam e entrevista e aplaudam Olívio Dutra.
“O Rio Grande do Sul cresceu sem a Ford”, garante Olívio Dutra
Ex-governador gaúcho fala sobre os reais motivos que levaram a Ford a deixar de instalar sua fábrica no estado
Agência Brasil de Fato
Mais uma vez, a saída da montadora Ford do Rio Grande do Sul voltou a ocupar o posto das principais notícias nos meios de comunicação gaúchos. Uma decisão tomada pela juíza Lílian Cristiane Siman em dezembro de 2009, mas que somente se tornou pública no final de maio deste ano, condenou a montadora Ford Brasil Ltda a indenizar o estado do Rio Grande do Sul em mais de R$ 134 milhões (corrigido, o valor pode chegar a quase R$ 1 bilhão) por não instalar uma fábrica na cidade de Guaíba em 1999. Embora a decisão da juíza já tenha sido contestada pelo Tribunal de Justiça gaúcho, que anulou a sentença por ter sido julgada em separado de uma outra ação civil pública que tramita sobre o mesmo tema, a notícia serviu para reavivar um assunto que ainda é constantemente relembrado na política do Rio Grande do Sul. Após uma década, o governo (1999-2002) da Frente Popular (PT-PSB-PCdoB-PCB), encabeçado por Olívio Dutra (PT), ainda é rotulado como aquele “que deixou a Ford ir embora”. Confira, a seguir, entrevista com o ex-governador.
Brasil de Fato – Como o senhor recebeu a decisão da Justiça de exigir indenização da Ford ao estado do Rio Grande do Sul?
Olívio Dutra – A decisão foi importante, valiosa. Ela reforça uma visão que sempre tivemos e da qual não abdicamos: de que o desenvolvimento gaúcho não depende da atração de mega projetos às custas de uma alta renúncia fiscal, de que nós podemos desenvolver o Rio Grande de forma mais parelha, mais espraiada e até mesmo mais enraizada, valorizando a produção do estado, seu parque produtivo que é diversificado, numa relação entre os setores agropecuário, indústria, comércio e serviços, e valorizando as vocações locais. Esta visão nos fez tomar a medida que tomamos naquela ocasião. E penso, quero, desejo que os adversários de projeto possam discutir com mais qualidade a visão de desenvolvimento para o Rio Grande, porque é isso que está em jogo. E são visões diferenciadas. Nós fomos eleitos em um momento de ascenso do neoliberalismo aqui no estado, com a privatização. E fomos atacados por todos os lados; por grupos poderosos, órfãos desta multinacional, a Ford. Nós procuramos, numa linguagem bem gaúcha, “chinchar” esta empresa; trazê-la para uma mesa de negociação para renegociar um acordo que tinha sido feito com o governo anterior. Um acordo leonino para o estado devido aos seus parcos recursos; leonino para o seu orçamento, para os seus investimentos. Isso não era uma novidade porque outras empresas multinacionais instaladas em outras regiões do país também estavam tendo que negociar. É o caso do Paraná. Nós conseguimos chamar para a mesa de negociação a General Motors (GM), que aceitou conversar. Fizemos uma contraproposta e reduzimos em mais de R$ 100 milhões a permanência da GM no estado. Já a Ford não quis. Esta empresa tinha as costas largas, numa relação política com o grupo partidário-ideológico que foi derrotado pelo nosso governo. Também se revelou muito articulada com este grupo e seus partidos, com a sua bancada de oposição ao nosso governo e presente na Câmara federal. Aliás, desta bancada participava a atual governadora, Yeda Crusius (PSDB). E nem por isso deixamos de insistir em uma negociação. Para ver como estavam bem relacionados [a transnacional, o governo federal e a bancada de oposição no Congresso], conseguiram que o governo federal de FHC emitisse uma medida provisória que alterou o regime automotivo do Mercosul. Com as mudanças, foram dadas condições para que as fábricas fossem levadas para o Nordeste – o prazo estava expirado, renúncia fi scal era ainda maior do que a Ford tinha aqui no estado. E essa MP, que depois teve de ser votada, foi aperfeiçoada pelas oligarquias baiana e paulista e com o apoio da oposição, que votou a favor da Ford e contra o Rio Grande do Sul.
Por que revisar os contratos com as empresas?
Porque eram contratos que penalizavam o Estado e favoreciam enormemente uma empresa como a Ford, que tinha uma receita superior, várias vezes, ao orçamento gaúcho. Uma empresa que não precisava de favor nenhum de um estado que tinha recursos escassos para investimento na micro e na pequena empresa e até mesmo para pagar o funcionalismo. Tínhamos que repassar R$ 400 milhões à empresa e ficar sem condições de pagar os professores, por exemplo. Além disso, o contrato feito no governo anterior, de Antônio Britto (PMDB), não havia sido aberto para a opinião pública; tinha sido feito às escondidas, sombreadamente, com um grupo de executivos e de um grupo seleto dentro do governo na ideia de que podiam fazer tudo com o patrimônio público, inclusive comprometer o futuro. O acordo tinha umas 30 cláusulas, sendo que 29 eram a favor da empresa e apenas uma era compromisso com o estado [contrapartida]. Uma coisa leonina, altamente favorável para uma empresa que não precisava deste tipo de favor de um estado que tem outras prioridades e de um governo que tem uma outra visão de construção do desenvolvimento, que não é esta com base em megaprojetos descendo aqui com tudo o que é benefício: área facilitada, financiamento facilitado, renúncia fiscal, infra-estrutura a ser executada pelo próprio governo. Lembro bem de uma negociação que tivemos com a General Motors que penso que foi importante. O governo anterior tinha se comprometido e estava em execução a construção de uma estação de tratamento de água dentro da fábrica da GM. E está lá, quem passa hoje pela autoestrada em Gravataí (RS) vai ver uma estrutura da Companhia Riograndense de Abastecimento (Corsan) dentro do complexo automotivo da empresa privada e multinacional. Na época, fomos ver se a estrutura iria servir somente à empresa; uma estrutura a ser construída pelo estado sendo que tinha necessidade de saneamento para as vilas adjacentes. Colocamos isso na mesa para a GM e fizemos as alterações necessárias e aceitas na mesa de negociação. Só para citar um dos pontos que negociamos com esta empresa, além de outros.
Com quais alterações no acordo a Ford não concordava?
A Ford nunca entrou na mesa de negociação. Nunca contrapropôs. Ela simplesmente dizia “não, nós temos um contrato juridicamente perfeito e que precisa ser cumprido”. Nós dizíamos, bueno, então tem que apresentar o relatório dos recursos que já receberam, se foram aplicados segundo os compromissos que assinaram. Relutaram e muito em fazer este relatório, esta prestação de contas do dinheiro que já haviam recebido para a gente poder ver se justificava passar outra parcela. Relutaram, fi zeram de tudo, foram para a grande mídia para criar uma pressão ainda maior sobre nós. Nós insistimos, e a empresa acabou apresentando um relatório fajutado. Aquele relatório já mostrava como é que eles tinham gasto parcelas consideráveis do dinheiro obtido aqui; gastaram em outras coisas, não diretamente ligadas com o projeto. A área específica de avaliação do projeto disse que o relatório revelava que não dava para prosseguir assim, que a empresa não cumpre o que tem que cumprir. A Ford não contrapropôs nada.
Os críticos afirmam até hoje que a revisão dos contratos fez com que a Ford fosse embora do RS.
Não, o motivo de ela ter saído do estado foi porque ela não aceitou sentar nas mesas de negociações, como outras empresas, no caso a GM, aceitaram. O governo tinha legitimidade. Nós discutimos com a população na campanha eleitoral nossa visão de desenvolvimento para o estado, que não era baseada, como o governo anterior, no pique do neoliberalismo, da privatização, repassando recursos públicos para os grupos privados e poderosos. Esta questão estava bem clara, não viemos com ela escondida na manga. Nós tínhamos legitimidade, autoridade e responsabilidade para chamar estas empresas e dizer “olha, precisamos rever isto para colocar em bases mais adequadas para a nossa visão de desenvolvimento e até mesmo para o orçamento do estado, os recursos que temos disponíveis a médio e longo prazo”. O que importa dizer é que no período de governo da Frente Popular, nos quatro anos, o estado cresceu e se desenvolveu acima da média nacional. O Produto Interno Bruto (PIB) do estado cresceu acima da média nacional em todos os setores, inclusive no metalmecânico, no industrial. O companheiro, nosso secretário de Desenvolvimento da época, saudoso Zeca Moraes [falecido em 2009], trabalhou com paciência e determinação muito grandes estas relações. A saída da Ford não representou nenhum prejuízo para o Rio Grande, na visão do desenvolvimento sustentável, mais espraiado, porque nós desenvolvemos uma ideia dos sistemas locais de produção, valorizando vocações regionais, articulando setores entre si, ampliando a capacidade de investimento interno via Banco do Brasil, o próprio Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), ações desenvolvidas como a agência de fomento dentro do Banrisul que criamos. Isso tudo possibilitou que fizéssemos com que o estado tivesse não só crescimento econômico, como desenvolvimento social, com a renda crescendo mais e sendo melhor distribuída através de um salário mínimo regional acima do salário mínimo nacional. Tiveram empresas de outros estados que vieram para cá. A Latasa, que fica na cidade de Viamão (RS), é uma delas. Podem vir empreendimentos de outras regiões e até mesmo de outros países, mas sintonizados com a visão do desenvolvimento descentralizado, desconcentrado e que também venham buscando estas sintonias com as vocações regionais. Ao atrair uma empresa de determinado porte com uma enorme renúncia fiscal, primeiro você reduz o repasse do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) para os municípios e concentra em uma região; segundo que cria favores para uma megaempresa às custas da micro, da pequena e da média empresa que têm que se acoplar àquela ou desaparecer. Mexemos no Fundopem, que é um fundo que antes apenas meia dúzia de empresas tinham acesso, fazendo com que centenas de pequenas e médias empresas de diversas regiões do Rio Grande acessassem este tipo de financiamento.
Por que este caso da Ford repercute ainda tanto no estado?
É evidente, é um campo ideológico. Temos dois projetos que estão em disputa, tanto no país quanto no Rio Grande do Sul. E aqui nós derrotamos este projeto quando ele estava no auge do seu discurso neoliberal. Ficaram de tal forma calistratos com esta derrota, que passaram a ter não mais o raciocínio político mas a quizila, o preconceito. São visões diferenciadas sobre o desenvolvimento. Temos a ideia de que o Estado, e nunca escondemos isto, tem um papel imprescindível na emulação do desenvolvimento. Não é o achincalhamento do Estado que possibilita um desenvolvimento sustentável e justo, mas a democratização do Estado, sob controle público e não privado, eficiente e capaz de fazer articulação.
Como avalias a cobertura da mídia corporativa quando a Ford decidiu não se instalar mais no estado?
É uma mídia comprometida ideologicamente, é uma mídia que tem lado, mas que sempre quer esconder, se apresentar como democrática, plural. A mídia tem interesses da publicidade, vive de recursos destes grupos que a sustenta. Nós também tínhamos uma visão diferenciada sobre recursos de publicidade. Chegamos com a visão de que tínhamos que reduzir o volume de recursos para publicidade e distribuir melhor entre as empresas, rádio, jornal, televisão. Além de reduzir o volume com a publicidade, para ter mais recursos para outras áreas mais necessárias, nós também não encaminhamos, como nos governos anteriores, 80% destes recursos para uma destas grandes empresas de comunicação do estado. Por aí também se indispuseram conosco por conta de nossa visão republicana e que estava ligada a valorizar a micro e a pequena empresa de comunicação. Há muitas micro-empresas de comunicação pelo RS afora e não pedimos nada de retorno, nenhum compromisso elogiando, bajulando o nosso governo. Pelo contrário, vemos que as micro e pequenas do interior do estado não têm estrutura e se alimentam das notícias editadas pelas grandes empresas ou do centro do estado, ou do centro do país. Não procuramos, com esta melhor distribuição dos recursos de publicidade, ter apoio da micro, da pequena e da média empresa de comunicação. Ela continuou com a sua estrutura, dependendo de notícias elaboradas e editadas pelos grupos empresariais dos grupos maiores. Mas também por aí veja que tinha uma relação de interesses que nós interrompemos.
Recentemente, o relator da CPI da Ford na época, deputado Berfran Rosado (PPS), afirmou que, por não haver ação na Justiça, a comissão exigiu que o governo gaúcho cobrasse a devolução dos recursos repassados pelo Estado. Foi isso mesmo?
O nosso partido fez parte da CPI, não fomos contra. Ao contrário, valorizamos a comissão. A CPI, que tinha um foco, no início, foi reconhecendo outras coisas. Mas o Executivo nunca deixou para depois e nunca tergiversou sobre a injustiça daquele contrato e a relutância petulante de uma empresa, diferente de outras, de não sentar na mesa de negociação. O governo tinha propostas e divulgava como reduzir os custos para a Ford permanecer no estado. Não esperamos decisão da CPI para tomar as medidas cabíveis de responsabilidade do Executivo. Mas que bom que esta CPI, à qual o governo não se opôs e da qual os partidos que também compunham o governo participaram, reconheceu, em alguma parte de seu trabalho, que a empresa tinha tido um comportamento, para dizer o mínimo, inadequado.
Na sua opinião, por que o governo de Yeda Crusius não se manifestou sobre a decisão anterior da Justiça, de a Ford indenizar o estado?
O governo se sentiu contrariado com a decisão da Justiça porque desmonta o discurso de que fomos nós que mandamos a Ford ir embora; vão ter que encontrar outras maneiras com a mesma cantilena. Mas o que importa é que o Rio Grande do Sul se desenvolveu no governo da Frente Popular, não dependíamos de um megaprojeto vindo de fora com tamanha renúncia fiscal. Esses tempos conversei com o Jacques Wagner (PT), governador da Bahia. Eu puxei conversa com ele sobre a Ford. Disse a ele: “os nossos opositores querem fazer uma placa para mim por trazer a Ford aqui para a Bahia. Vocês devem estar no melhor dos mundos”. Ele me disse que, com a crise financeira, a montadora chegou para o governo baiano colocando a necessidade de o estado repassar a ela R$ 400 milhões. Ao invés de ajudar a Bahia a enfrentar a crise, ela trouxe mais um problema. Estas empresas do setor automobilístico estão em crise no mundo, elas precisam se reciclar. Quando é que se reciclam? Quando têm guerras nas quais elas passam a, ao invés de fazer veículos particulares, produzir canhões, armas de guerra. Está na hora de as empresas se reciclarem porque elas são responsáveis, inclusive, por este tumulto que está virando as cidades, com este volume de automóveis particulares. E os governos tendo que se submeter a esta lógica da indústria automobilística, do rodoviarismo, da construção de viadutos caríssimos que não estão mais solucionando os problemas. Estas empresas podem produzir equipamentos para o transporte coletivo, mas isso é um debate. Nossa visão não é imediatista e particular, focando uma determinada empresa; é uma visão de desenvolvimento sustentável, em que o ser humano é o objeto principal e não a máquina ou o dinheiro. Mas existe toda uma circunstância, uma ideologia, o mundo globalizado, o mercado, o dinheiro em cima das pessoas dizendo que elas precisam consumir, ter as coisas. Nós não damos murro em ponta de faca, mas não somos também rebanho desta visão. Sabemos que ela só se altera à medida que construímos uma hegemonia com a participação cidadã para uma compreensão de um mundo diferente.
Oito anos após o encerramento do teu governo, como vês o Rio Grande do Sul de hoje?
O estado tem um parque industrial produtivo diversificado, isto faz parte da sua história econômica, social e política. Em outras ocasiões se tomaram decisões importantes. O governo Borges de Medeiros [no início do século 20], por exemplo, estatizou as estradas ferroviárias, que antes eram inglesas e passaram a ser serviço público. As posições que o Brizola [1959-1963] assumiu em relação à telefonia e que, depois, a ideologia privatista chegou e vendeu. A nossa atitude aqui também tem uma visão histórica. O estado tem raízes importantes no seu parque industrial diversificado que precisam ser valorizados. Uma vez valorizados, e às vezes até mesmo contra a ação de governos que não têm esta visão, o estado tem uma capacidade própria de enfrentar problemas. Os governos neoliberais criam mais problemas para o desenvolvimento do que soluções. O atual governo do RS está distorcendo este desenvolvimento, que poderia ser mais parelho e sustentável, para ser um desenvolvimento descompassado, de um setor sobre o outro. O Estado desqualificando a sua prestação de serviços na área da saúde, da educação e da segurança. Acho que o Rio Grande do Sul tem potencialidades enormes e vocações importantes, e precisa de um governo capaz de dar sintonia, articular e dar protagonismo para a sociedade gaúcha. E não o governo que avoque a si o dono da verdade e faça do aparelho do Estado uma extensão da propriedade dos mais poderosos e influentes. Acho que o Rio Grande do Sul está mal de governo. Após o golpe militar, tivemos dois governos do campo democrático-popular: o governo de Alceu Collares [PDT, 1991-1994] e o da Frente Popular. Fora disso, o campo do neoliberalismo é que tem governado.
A oposição ao seu governo, o primeiro do PT no Rio Grande do Sul, foi forte e incansável. Acha que um segundo governo hoje teria uma oposição menos ferrenha?
É para que eu torço e trabalho. Que não se repita. Aliás, a história só se repete como farsa, então tenho certeza que um segundo governo das forças que compunham a Frente Popular da época vai ser diferente. As condições hoje são sim mais favoráveis, até porque temos o governo do país e os dois mandatos do presidente Lula foram muito importantes para investimentos na infraestrutura do Rio Grande em educação e segurança pública, das ciências e da tecnologia. Criou um ambiente muito favorável que não tínhamos no nosso primeiro governo. Acho que até politicamente os adversários estão confusos entre si. Eles, no pragmatismo político, querem continuar tendo um governo como o do presidente Lula, que não distingue se o prefeito é daquele partido, só exige que o recurso público seja aplicado. Eles ficam meio divididos nesta questão quanto à candidatura em nível nacional. Mas eles temem que uma vitória casada Dilma-Tarso Genro possa ir mais longe nas mudanças mais substanciais que iniciamos naquele governo. Portanto, se articulam de forma diferente para a questão nacional e com relação à disputa estadual. No entanto, penso que o campo popular-democrático também aumentou a sua experiência, articulou melhor sua visão de se relacionar entre si, com a sociedade, e tem um conhecimento mais profundo das potencialidades do Rio Grande. Também tem quadros da melhor qualidade em todos esses partidos para gerir, com visão republicana e participativa, o espaço público. Acho que o próximo governador, que há de ser o Tarso, irá encontrar um quadro bem mais razoável do que o que tivemos que enfrentar naquele primeiro governo da Frente Popular.
Entenda o caso: empresa se negou a rever contrato
Em 28 de abril de 1999, a montadora Ford anunciou que não iria mais instalar sua fábrica no Rio Grande do Sul. O contrato de implantação do Projeto Amazon tinha sido assinado em 1998, no governo Antonio Britto (PMDB). Com a eleição da Frente Popular (PTPSB-PCdoB-PCB), iniciou-se uma revisão dos contratos com a montadora e a General Motors (GM). Quando a Ford optou por deixar o estado, ela já havia recebido a primeira parcela dos R$ 210 milhões que seriam financiados pelo Banrisul (banco estatal gaúcho), além de outros valores em subvenções (ajuda financeira). Os relatórios entregues na época pela empresa à Auditoria-Geral do Estado (CAGE), para prestar contas do dinheiro que já havia sido repassado, foram considerados insuficientes.
Ao deixar o Rio Grande do Sul, a Ford se instalou na Bahia. Na época, a empresa disse que o estado gaúcho atrasou, por questões ideológicas, a liberação da segunda parcela do financiamento. Em sua decisão recente à ação civil pública interposta pelo governo Olívio Dutra (1999-2002), a juíza Lílian Cristiane Siman decidiu que a Ford teria de devolver ao RS o dinheiro investido, com correção. A magistrada entendeu que a empresa tinha desistido, por iniciativa própria, do empreendimento. Com a anulação da decisão de Siman, a ação civil do governo Olívio aguarda sentença junto com outra ação popular, de um civil, que, além da empresa, também questiona os termos do contrato definidos pelo governador à época, Antônio Britto.
sexta-feira, 16 de julho de 2010
quinta-feira, 15 de julho de 2010
Folhona reconhece que Serra menti ao pedir paternidade do FAT e do Seguro-Desemprego
Até o braço midiático da candidatura tucana foi obrigado a reconhecer que Serra mente deslavadamente ao pedir a paternidade do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador) e do Seguro Desemprego.
No último fim de semana cinco centrais sindicais (CUT, CGTB, CTB, Força Sindical e Nova Central) divulgaram documento cujo teor acusa José Serra de engodo ao pousar como benemérito dos trabalhadores durante a Assembleia Nacional Constituinte de 1988. No documento as centrais sindicais acusam o ex-governador paulista de não ser nem o responsável pelo FAT nem pai do Seguro-Desemprego como ele vem mentindo há anos.
Agora a Folhona Ditabranda chegou a mesma conclusão após ter acesso a documentação da época em que nasceram tanto o FAT quanto o Seguro-Desemprego. A documentação foi obtida através de uma consulta realizada pelo PPS – aliado umbilical dos demo-tucanos – ao Cedi (Centro de Documentação e Informação da Câmara).
Quem escreve sobre o assunto é Josias de Souza (aqui).
No último fim de semana cinco centrais sindicais (CUT, CGTB, CTB, Força Sindical e Nova Central) divulgaram documento cujo teor acusa José Serra de engodo ao pousar como benemérito dos trabalhadores durante a Assembleia Nacional Constituinte de 1988. No documento as centrais sindicais acusam o ex-governador paulista de não ser nem o responsável pelo FAT nem pai do Seguro-Desemprego como ele vem mentindo há anos.
Agora a Folhona Ditabranda chegou a mesma conclusão após ter acesso a documentação da época em que nasceram tanto o FAT quanto o Seguro-Desemprego. A documentação foi obtida através de uma consulta realizada pelo PPS – aliado umbilical dos demo-tucanos – ao Cedi (Centro de Documentação e Informação da Câmara).
Quem escreve sobre o assunto é Josias de Souza (aqui).
terça-feira, 13 de julho de 2010
Dia Internacional do Rock
Pra comemorar o dia internacional do Rock!!!!
Led Zeppelin - Black Dog
While My Gitar Gently Weeps – George Harrison
The Beatles A Hard Day's Night – Beatles
Time Is On My Side – Rolling Stones
Wont Get Fooled Again – The Who
Wish You Were Here – Pink Floyd
Hurricane – Bob Dylan
Little Girl Blue ¬ – Janis Joplin
Light My Fire – Doors
Starman ¬– David Bowie
Sunshine of Your Love – Cream
London's Burning – The Clash
Foxy Lady – Jimi Hendrix
Smoke On The Water – Deep Purple
Hey Hey My My – Neil Young
Led Zeppelin - Black Dog
While My Gitar Gently Weeps – George Harrison
The Beatles A Hard Day's Night – Beatles
Time Is On My Side – Rolling Stones
Wont Get Fooled Again – The Who
Wish You Were Here – Pink Floyd
Hurricane – Bob Dylan
Little Girl Blue ¬ – Janis Joplin
Light My Fire – Doors
Starman ¬– David Bowie
Sunshine of Your Love – Cream
London's Burning – The Clash
Foxy Lady – Jimi Hendrix
Smoke On The Water – Deep Purple
Hey Hey My My – Neil Young
domingo, 11 de julho de 2010
Centrais sindicais dizem que Serra é mentiroso
Serra: impostura e golpe contra os trabalhadores
O candidato José Serra (PSDB) tem se apresentado como um benemérito dos trabalhadores, divulgando inclusive que é o responsável pela criação do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador) e por tirar do papel o Seguro-Desemprego. Não fez nenhuma coisa, nem outra. Aliás, tanto no Congresso Nacional quanto no governo, sua marca registrada foi atuar contra os trabalhadores. A mentira tem perna curta e os fatos desmascaram o tucano.
A verdade
Seguro-Desemprego - Foi criado pelo decreto presidencial nº 2.284, de 10 de março de 1986, assinado pelo então presidente José Sarney. Sua regulamentação ocorreu em 30 de abril daquele ano, através do decreto nº 92.608, passando a ser concedido imediatamente aos trabalhadores.
FAT – Foi criado pelo Projeto de Lei nº 991, de 1988, de autoria do deputado Jorge Uequed (PMDB-RS). Um ano depois Serra apresentou um projeto sobre o FAT (nº 2.250/1989), que foi considerado prejudicado pelo plenário da Câmara dos Deputados, na sessão de 13 de dezembro de 1989, uma vez que o projeto de Jorge Uequed já havia sido aprovado.
Assembleia Nacional Constituinte (1987/1988) - José Serra votou contra os trabalhadores:
a) Serra não votou pela redução da jornada de trabalho para 40 horas;
b) não votou pela garantia de aumento real do salário mínimo;
c) não votou pelo abono de férias de 1/3 do salário;
d) não votou para garantir 30 dias de aviso prévio;
e) não votou pelo aviso prévio proporcional;
f) não votou pela estabilidade do dirigente sindical;
g) não votou pelo direito de greve;
h) não votou pela licença paternidade;
i) não votou pela nacionalização das reservas minerais.
Por isso, o Diap (Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar), órgão de assessoria dos trabalhadores, deu nota 3,75 para o desempenho de Serra na Constituinte.
Revisão Constitucional (1994) - Serra apresentou a proposta nº 16.643, para permitir a proliferação de vários sindicatos por empresa, cabendo ao patrão decidir com qual sindicato pretendia negociar. Ainda por essa proposta, os sindicatos deixariam de ser das categorias, mas apenas dos seus representados. O objetivo era óbvio: dividir e enfraquecer os trabalhadores e propiciar o lucro fácil das empresas. Os trabalhadores enfrentaram e derrotaram os ataques de Serra contra a sua organização, garantindo a manutenção de seus direitos previstos no artigo 8º da Constituição.
É por essas e outras que Serra, enquanto governador de São Paulo, reprimiu a borrachadas e gás lacrimogênio os professores que estavam reivindicando melhores salários; jogou a tropa de choque contra a manifestação de policiais civis que reivindicavam aumento de salário, o menor salário do Brasil na categoria; arrochou o salário de todos os servidores públicos do Estado de São Paulo.
As Centrais Sindicais brasileiras estão unidas em torno de programa de desenvolvimento nacional aprovado na Conferência Nacional da Classe Trabalhadora, em 1º de junho, com mais de 25 mil lideranças sindicais, contra o retrocesso e para garantir a continuidade do projeto que possibilitou o aumento real de 54% do salário mínimo nos últimos sete anos, a geração de 12 milhões de novos empregos com carteira assinada, que acabou com as privatizações, que descobriu o pré-sal e tirou mais de 30 milhões de brasileiros da rua da amargura.
Antonio Neto – presidente da CGTB
Wagner Gomes – presidente da CTB
Artur Henrique – presidente da CUT
Miguel Torres – presidente da Força Sindical
Jose Calixto Ramos – presidente da Nova Central
O candidato José Serra (PSDB) tem se apresentado como um benemérito dos trabalhadores, divulgando inclusive que é o responsável pela criação do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador) e por tirar do papel o Seguro-Desemprego. Não fez nenhuma coisa, nem outra. Aliás, tanto no Congresso Nacional quanto no governo, sua marca registrada foi atuar contra os trabalhadores. A mentira tem perna curta e os fatos desmascaram o tucano.
A verdade
Seguro-Desemprego - Foi criado pelo decreto presidencial nº 2.284, de 10 de março de 1986, assinado pelo então presidente José Sarney. Sua regulamentação ocorreu em 30 de abril daquele ano, através do decreto nº 92.608, passando a ser concedido imediatamente aos trabalhadores.
FAT – Foi criado pelo Projeto de Lei nº 991, de 1988, de autoria do deputado Jorge Uequed (PMDB-RS). Um ano depois Serra apresentou um projeto sobre o FAT (nº 2.250/1989), que foi considerado prejudicado pelo plenário da Câmara dos Deputados, na sessão de 13 de dezembro de 1989, uma vez que o projeto de Jorge Uequed já havia sido aprovado.
Assembleia Nacional Constituinte (1987/1988) - José Serra votou contra os trabalhadores:
a) Serra não votou pela redução da jornada de trabalho para 40 horas;
b) não votou pela garantia de aumento real do salário mínimo;
c) não votou pelo abono de férias de 1/3 do salário;
d) não votou para garantir 30 dias de aviso prévio;
e) não votou pelo aviso prévio proporcional;
f) não votou pela estabilidade do dirigente sindical;
g) não votou pelo direito de greve;
h) não votou pela licença paternidade;
i) não votou pela nacionalização das reservas minerais.
Por isso, o Diap (Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar), órgão de assessoria dos trabalhadores, deu nota 3,75 para o desempenho de Serra na Constituinte.
Revisão Constitucional (1994) - Serra apresentou a proposta nº 16.643, para permitir a proliferação de vários sindicatos por empresa, cabendo ao patrão decidir com qual sindicato pretendia negociar. Ainda por essa proposta, os sindicatos deixariam de ser das categorias, mas apenas dos seus representados. O objetivo era óbvio: dividir e enfraquecer os trabalhadores e propiciar o lucro fácil das empresas. Os trabalhadores enfrentaram e derrotaram os ataques de Serra contra a sua organização, garantindo a manutenção de seus direitos previstos no artigo 8º da Constituição.
É por essas e outras que Serra, enquanto governador de São Paulo, reprimiu a borrachadas e gás lacrimogênio os professores que estavam reivindicando melhores salários; jogou a tropa de choque contra a manifestação de policiais civis que reivindicavam aumento de salário, o menor salário do Brasil na categoria; arrochou o salário de todos os servidores públicos do Estado de São Paulo.
As Centrais Sindicais brasileiras estão unidas em torno de programa de desenvolvimento nacional aprovado na Conferência Nacional da Classe Trabalhadora, em 1º de junho, com mais de 25 mil lideranças sindicais, contra o retrocesso e para garantir a continuidade do projeto que possibilitou o aumento real de 54% do salário mínimo nos últimos sete anos, a geração de 12 milhões de novos empregos com carteira assinada, que acabou com as privatizações, que descobriu o pré-sal e tirou mais de 30 milhões de brasileiros da rua da amargura.
Antonio Neto – presidente da CGTB
Wagner Gomes – presidente da CTB
Artur Henrique – presidente da CUT
Miguel Torres – presidente da Força Sindical
Jose Calixto Ramos – presidente da Nova Central
sexta-feira, 9 de julho de 2010
Plebiscito Popular sobre a “Função da Terra”
De Mateus Zani
Entre os dias 01 e 07 de setembro de 2010, será realizado o Plebiscito Popular pelo limite da terra, com o objetivo de pressionar o Congresso Nacional para que seja incluído um novo inciso no artigo 186 da Constituição Brasileira, que trata da Função Social da terra, para limitar o tamanho máximo da propriedade em 35 módulos fiscais. Essa medida foi sugerida pela campanha do Fórum Nacional pela Reforma Agrária e Justiça no Campo (FNRA), que tem como objetivo conscientizar e mobilizar a sociedade brasileira sobre a importância de se estabelecer um limite para a propriedade da terra no Brasil, que é o segundo maior concentrador do mundo, perdendo apenas para o Paraguai. Peço aqueles e aquelas que concorda com o limite máximo para as propriedades rurais e com o fim dos grandes latifúndios no Brasil, que entre no site da “Campanha Nacional pelo Limite da Propriedade da Terra” para conhecer a campanha, ajudar na divulgação e participar do abaixo assinado pelo limite da propriedade da terra.
Mateus Zani, mestrando em Antropologia na UNICAMP e companheiro de lutas popualres aqui em Poços de Caldas.
Entre os dias 01 e 07 de setembro de 2010, será realizado o Plebiscito Popular pelo limite da terra, com o objetivo de pressionar o Congresso Nacional para que seja incluído um novo inciso no artigo 186 da Constituição Brasileira, que trata da Função Social da terra, para limitar o tamanho máximo da propriedade em 35 módulos fiscais. Essa medida foi sugerida pela campanha do Fórum Nacional pela Reforma Agrária e Justiça no Campo (FNRA), que tem como objetivo conscientizar e mobilizar a sociedade brasileira sobre a importância de se estabelecer um limite para a propriedade da terra no Brasil, que é o segundo maior concentrador do mundo, perdendo apenas para o Paraguai. Peço aqueles e aquelas que concorda com o limite máximo para as propriedades rurais e com o fim dos grandes latifúndios no Brasil, que entre no site da “Campanha Nacional pelo Limite da Propriedade da Terra” para conhecer a campanha, ajudar na divulgação e participar do abaixo assinado pelo limite da propriedade da terra.
Mateus Zani, mestrando em Antropologia na UNICAMP e companheiro de lutas popualres aqui em Poços de Caldas.
domingo, 4 de julho de 2010
10 coisas que o eleitor saber sobre o vice de Serra
Vendido pelo Partido do Capital – a mídia oligopolizada – como relator do “Ficha Limpa”, Indio da Costa, embora tenha apenas 39 anos, já possui uma carreira política marcada por polêmicas e controvérsias. Na vida pessoal namorava a filha do banqueiro Salvatore Cacciola em 1999, por coincidência no mesmo ano em que o banqueiro deu um rombo de 1,6 bilhão de reais aos cofres públicos.
Mas, vejamos mais sobre Indio da Costa, o deputado do DEMO escolhido por Serra como candidato a vice:
1- Em 1997, primeiro ano do seu primeiro mandato como vereador, apresentou projeto de lei para punir os cariocas que dão esmola a pedintes. "Fica proibido esmolar no município, para qualquer fim ou objeto", sentenciava o texto. "Quem doar esmola pagará multa a ser definida." A proposta chegava a chamar a mendicância de "vício". Foi considerada inconstitucional e acabou numa gaveta da Câmara Municipal.
2- Ainda enquanto vereador carioca, tentou proibir o comércio ambulante das ruas, o que varreria da paisagem carioca as figuras tradicionais dos vendedores de mate e biscoito de polvilho.
3- Foi secretário municipal de Administração da Prefeitura do Rio de Janeiro entre 2001 e 2006 com o prefeito César Maia. Na época, Indio da Costa teve seu nome envolvido em suspeitas de fraude na licitação em merendas escolares compradas. Para investigar a denuncia formou-se uma CPI na Câmara Municipal do Rio onde ficou comprovado que o esquema de fraude previa vazamento de informações, que permitia a uma empresa apresentar os menores preços para a compra dos alimentos com valores superfaturados e o processo licitatório contemplava apenas ela na disputa. Ao findar os trabalhos a CPI pediu a responsabilização civil e criminal do ex-secretário de Administração que, de acordo com o relatório da vereadora Andrea Gouvêa Vieira (PSDB), comandou a licitação.
4- Indio defendeu, da tribuma da Câmara dos Deputados, um plebiscito sobre a pena de morte.
5- Intercedeu em favor do Banco Cruzeiro do Sul, de propriedade de seu primo Luís Octávio Indio da Costa, no recredenciamento de contratos junto ao Senado Federal. O banco foi envolvido nas denúncias contra o ex-diretor do Senado João Carlos Zoghbi e por isso acabou descredenciado.
6- Foi sub-relator da CPI dos Cartões Corporativos (a CPI da Tapioca), uma artimanha da direita farisaica com intuito exclusivo de desgastar o governo Lula e que, no final das contas, não chegou a lugar algum.
7- Disse que o governo parecia "beber cachaça" ao financiar tropas no Haiti enquanto o Brasil vivia uma "guerra civil".
8- Votou contra os projetos que visam à exploração do Pré-Sal.
9- Usou a tribuna da Câmara dos Deputados para defender a proibição de coxinhas e pirulitos em cantinas escolares.
10- O Partido do Capital o vende como relator do “Ficha Limpa”. A Lei flerta com o fascismo e autoritarismo tão admirados pela burguesia nacional e recebida como panaceia para nossos males e vícios políticos de uma democracia meramente formal. No entanto nem isso Indio da Costa foi. A redação final do “Ficha Limpa” aprovado na Câmara foi apresentado tendo como relator o deputado José Eduardo Cardozo (PT-SP).
Mas, vejamos mais sobre Indio da Costa, o deputado do DEMO escolhido por Serra como candidato a vice:
1- Em 1997, primeiro ano do seu primeiro mandato como vereador, apresentou projeto de lei para punir os cariocas que dão esmola a pedintes. "Fica proibido esmolar no município, para qualquer fim ou objeto", sentenciava o texto. "Quem doar esmola pagará multa a ser definida." A proposta chegava a chamar a mendicância de "vício". Foi considerada inconstitucional e acabou numa gaveta da Câmara Municipal.
2- Ainda enquanto vereador carioca, tentou proibir o comércio ambulante das ruas, o que varreria da paisagem carioca as figuras tradicionais dos vendedores de mate e biscoito de polvilho.
3- Foi secretário municipal de Administração da Prefeitura do Rio de Janeiro entre 2001 e 2006 com o prefeito César Maia. Na época, Indio da Costa teve seu nome envolvido em suspeitas de fraude na licitação em merendas escolares compradas. Para investigar a denuncia formou-se uma CPI na Câmara Municipal do Rio onde ficou comprovado que o esquema de fraude previa vazamento de informações, que permitia a uma empresa apresentar os menores preços para a compra dos alimentos com valores superfaturados e o processo licitatório contemplava apenas ela na disputa. Ao findar os trabalhos a CPI pediu a responsabilização civil e criminal do ex-secretário de Administração que, de acordo com o relatório da vereadora Andrea Gouvêa Vieira (PSDB), comandou a licitação.
4- Indio defendeu, da tribuma da Câmara dos Deputados, um plebiscito sobre a pena de morte.
5- Intercedeu em favor do Banco Cruzeiro do Sul, de propriedade de seu primo Luís Octávio Indio da Costa, no recredenciamento de contratos junto ao Senado Federal. O banco foi envolvido nas denúncias contra o ex-diretor do Senado João Carlos Zoghbi e por isso acabou descredenciado.
6- Foi sub-relator da CPI dos Cartões Corporativos (a CPI da Tapioca), uma artimanha da direita farisaica com intuito exclusivo de desgastar o governo Lula e que, no final das contas, não chegou a lugar algum.
7- Disse que o governo parecia "beber cachaça" ao financiar tropas no Haiti enquanto o Brasil vivia uma "guerra civil".
8- Votou contra os projetos que visam à exploração do Pré-Sal.
9- Usou a tribuna da Câmara dos Deputados para defender a proibição de coxinhas e pirulitos em cantinas escolares.
10- O Partido do Capital o vende como relator do “Ficha Limpa”. A Lei flerta com o fascismo e autoritarismo tão admirados pela burguesia nacional e recebida como panaceia para nossos males e vícios políticos de uma democracia meramente formal. No entanto nem isso Indio da Costa foi. A redação final do “Ficha Limpa” aprovado na Câmara foi apresentado tendo como relator o deputado José Eduardo Cardozo (PT-SP).
sábado, 3 de julho de 2010
“Celeste Olímpica renasce" ou "Porque o futebol é esse esporte tão emocionante"
Surpreendente a campanha do Uruguai, a "Celeste Olímpica", nesta Copa. Numa chave onde a maioria apostava na França e no México como favoritos a avançarem para as oitavas de final, com os anfitriões sul-africanos correndo por fora, o Uruguai era tido e havido como o patinho feio. O Uruguai não só avançou como ainda por cima passou em primeiro lugar e invicto, além, de não ter sofrido nenhum gol na primeira fase e ter o melhor jogador do Mundial, o meia-atacante Fórlan.
Após bater a Coréia do Sul nas oitavas de final, protagonizou nessa sexta-feira, já pelas quartas de final, o jogo mais emocionante da Copa até aqui.
Diante da boa equipe de Gana o Uruguai saiu em desvantagem. Muntari chutando de longa distância no finzinho o primeiro tempo pegou o ótimo goleiro Muslera de surpresa. Todavia no inicio do segundo tempo Fórlan em cobrança de falta perfeita igualou o placar.
O jogo se manteve com boas chances para ambos os lados, contudo com a Celeste Olímpica jogando pouco melhor e pressionando mais. Mas o tempo regulamentar terminou empatado e a partida foi para a prorrogação.
Gana dominou boa parte da prorrogação, o Uruguai parecia não ter pernas e sua defesa sentia a falta do capitão Lugano, que teve de ser substituído após uma contusão. No derradeiro minuto uma bola levantada na área obrigou o artilheiro Luiz Suarez, dentro do gol, a interceptá-la com a mão. Expulsão do centroavante e penalidade máxima marcada pelo árbitro.
Suarez saiu chorando e seus compatriotas tentaram consolá-lo. Mas o consolo só veio quando, da entrada para o vestiário, viu Gian, o craque ganes, estourar o travessão na cobrança da penalidade.
Muslera beijava o travessão, agradecendo-o, enquanto o árbitro encerrava a partida que desta forma caminhava para as cobranças alternadas de pênaltis.
Forlan, Uruguai 1 a 0;
Gian, Gana 1 a 1;
Vitorino, Uruguai 2 a 1;
Apiah, Gana 2 a 2;
Uruguai, 3 a 2;
Mensah sem tomar distância deu a Muslera à oportunidade de defender a cobrança, Uruguai 3 a 2;
Pereira errou feio e chutou pro alto, Uruguai 3 a 2;
Muslera defendeu mais uma, a quarta cobrança de Gana.
Loco Abreu, de cavadinha, igual fez pelo Botafogo contra o Flamengo na final da Taça Rio, levou o Uruguai à outra semifinal de Copa depois de 40 anos.
Após bater a Coréia do Sul nas oitavas de final, protagonizou nessa sexta-feira, já pelas quartas de final, o jogo mais emocionante da Copa até aqui.
Diante da boa equipe de Gana o Uruguai saiu em desvantagem. Muntari chutando de longa distância no finzinho o primeiro tempo pegou o ótimo goleiro Muslera de surpresa. Todavia no inicio do segundo tempo Fórlan em cobrança de falta perfeita igualou o placar.
O jogo se manteve com boas chances para ambos os lados, contudo com a Celeste Olímpica jogando pouco melhor e pressionando mais. Mas o tempo regulamentar terminou empatado e a partida foi para a prorrogação.
Gana dominou boa parte da prorrogação, o Uruguai parecia não ter pernas e sua defesa sentia a falta do capitão Lugano, que teve de ser substituído após uma contusão. No derradeiro minuto uma bola levantada na área obrigou o artilheiro Luiz Suarez, dentro do gol, a interceptá-la com a mão. Expulsão do centroavante e penalidade máxima marcada pelo árbitro.
Suarez saiu chorando e seus compatriotas tentaram consolá-lo. Mas o consolo só veio quando, da entrada para o vestiário, viu Gian, o craque ganes, estourar o travessão na cobrança da penalidade.
Muslera beijava o travessão, agradecendo-o, enquanto o árbitro encerrava a partida que desta forma caminhava para as cobranças alternadas de pênaltis.
Forlan, Uruguai 1 a 0;
Gian, Gana 1 a 1;
Vitorino, Uruguai 2 a 1;
Apiah, Gana 2 a 2;
Uruguai, 3 a 2;
Mensah sem tomar distância deu a Muslera à oportunidade de defender a cobrança, Uruguai 3 a 2;
Pereira errou feio e chutou pro alto, Uruguai 3 a 2;
Muslera defendeu mais uma, a quarta cobrança de Gana.
Loco Abreu, de cavadinha, igual fez pelo Botafogo contra o Flamengo na final da Taça Rio, levou o Uruguai à outra semifinal de Copa depois de 40 anos.
sexta-feira, 2 de julho de 2010
Ganhou a melhor equipe
Até hoje em toda a história de Copas do Mundo, o Brasil somente em duas oportunidades havia sofrido um revez após abrir o marcador. A primeira no ‘Maracanazo’, a célebre derrota do Brasil perante o Uruguai na partida final do Mundial de 1950, em pleno estádio do Maracanã. Naquela oportunidade Friaça aos dois minutos do segundo tempo anotou o gol brasileiro, mas depois aos 21 e aos 34 da mesma etapa, respectivamente Schiaffino e Ghiggia silenciaram os 200 mil brasileiros que lotavam o Maracanã e deram o bicampeonato mundial a Celeste Olímpica.
O outro revez canarinho – aliás, a seleção brasileira adotou o uniforme verde-amarelo justamente após o ‘Maracanazo’ – ocorreu no mundial da França em 1998, numa partida contra a Noruega e que nada valia para os brazucas. O Brasil já estava classificado para as oitavas de final e garantira com antecedência o primeiro lugar na chave após duas vitórias e a combinação dos resultados dos demais integrantes. Bebeto anotou o gol brasileiro aos 33 da etapa final e pouco depois, aos 38 minutos, Tore Andre Flo empatou e já aos 43 minutos Rekdal, cobrando pênalti cometido por Júnior Baiano, virou para os noruegueses. A vitória acabou dando aos escandinavos a segunda vaga na chave.
No entanto, nessa sexta-feira a seleção brasileira sofreu sua terceira derrota por virada em Copas do Mundo.
Depois de um primeiro tempo onde o Brasil jogou o que ainda não havia jogado nessa Copa, tanto na marcação quanto na criação, abrindo o marcador logo aos 9 minutos, viu a superioridade técnica da equipe laranja sobrepujar a defesa verde-amarela no segundo tempo. Felipe Melo, contra, aos 8 minutos e Sneijder, de cabeça, aos 23 despacharam a equipe de Dunga.
Digo superioridade técnica holandesa porque odeio ufanismos. A Holanda é realmente superior ao Brasil. Ou caso você fosse presidente de um dos milionários clubes europeus e precisasse contratar reforços para a próxima temporada, contrataria Felipe Melo ou De Jong? Gilberto Silva ou Van Bommel? Luís Fabiano ou Van Persie? Alguém acha, de fato, Robinho melhor que Robben? Quem está em melhor condição técnica, Kaká ou Sneijder?
De resto, apenas aconteceu aquilo que todos previam – ah, como o futebol hoje em dia é tão previsível !!! – Felipe Melo entregando o ouro e sendo expulso, Kaká longe da melhor forma sem substituto a altura e um time, embora aguerrido, pouco criativo e desequilibrado emocionalmente – a cara do Dunga treinador.
Por falar em Dunga, preciso dizer algo. Nunca comunguei de parte da mídia alternativa e segmentos da esquerda que transformaram Dunga em herói nacional depois da briga deste com a Globo. No que pese todo o passado negro da maior rede de telecomunicação do país e Dunga, indubitavelmente, ter razão na refrega, o técnico da seleção brasileira não passa dum tremendo casca grossa ufanista, adepto do futebol pragmático cujos resultados privilegiaram jogadores de pouco técnica e discutível qualidade amarrados a um esquema tático covarde.
Mais, no imaginário de Dunga fica fácil confundir a seleção brasileira de futebol com a própria nação. Declarações histéricas do tipo: “Todos que estão na seleção brasileira estão preparados e prontos para se doar para o nosso país”;” Vai doer, nós vamos sofrer, nós vamos sangrar”, exacerbavam essa confusão.
Se um sujeito com este imaginário se torna herói da esquerda, é porque, realmente, muitos na esquerda brasileira andam sem rumo.
O outro revez canarinho – aliás, a seleção brasileira adotou o uniforme verde-amarelo justamente após o ‘Maracanazo’ – ocorreu no mundial da França em 1998, numa partida contra a Noruega e que nada valia para os brazucas. O Brasil já estava classificado para as oitavas de final e garantira com antecedência o primeiro lugar na chave após duas vitórias e a combinação dos resultados dos demais integrantes. Bebeto anotou o gol brasileiro aos 33 da etapa final e pouco depois, aos 38 minutos, Tore Andre Flo empatou e já aos 43 minutos Rekdal, cobrando pênalti cometido por Júnior Baiano, virou para os noruegueses. A vitória acabou dando aos escandinavos a segunda vaga na chave.
No entanto, nessa sexta-feira a seleção brasileira sofreu sua terceira derrota por virada em Copas do Mundo.
Depois de um primeiro tempo onde o Brasil jogou o que ainda não havia jogado nessa Copa, tanto na marcação quanto na criação, abrindo o marcador logo aos 9 minutos, viu a superioridade técnica da equipe laranja sobrepujar a defesa verde-amarela no segundo tempo. Felipe Melo, contra, aos 8 minutos e Sneijder, de cabeça, aos 23 despacharam a equipe de Dunga.
Digo superioridade técnica holandesa porque odeio ufanismos. A Holanda é realmente superior ao Brasil. Ou caso você fosse presidente de um dos milionários clubes europeus e precisasse contratar reforços para a próxima temporada, contrataria Felipe Melo ou De Jong? Gilberto Silva ou Van Bommel? Luís Fabiano ou Van Persie? Alguém acha, de fato, Robinho melhor que Robben? Quem está em melhor condição técnica, Kaká ou Sneijder?
De resto, apenas aconteceu aquilo que todos previam – ah, como o futebol hoje em dia é tão previsível !!! – Felipe Melo entregando o ouro e sendo expulso, Kaká longe da melhor forma sem substituto a altura e um time, embora aguerrido, pouco criativo e desequilibrado emocionalmente – a cara do Dunga treinador.
Por falar em Dunga, preciso dizer algo. Nunca comunguei de parte da mídia alternativa e segmentos da esquerda que transformaram Dunga em herói nacional depois da briga deste com a Globo. No que pese todo o passado negro da maior rede de telecomunicação do país e Dunga, indubitavelmente, ter razão na refrega, o técnico da seleção brasileira não passa dum tremendo casca grossa ufanista, adepto do futebol pragmático cujos resultados privilegiaram jogadores de pouco técnica e discutível qualidade amarrados a um esquema tático covarde.
Mais, no imaginário de Dunga fica fácil confundir a seleção brasileira de futebol com a própria nação. Declarações histéricas do tipo: “Todos que estão na seleção brasileira estão preparados e prontos para se doar para o nosso país”;” Vai doer, nós vamos sofrer, nós vamos sangrar”, exacerbavam essa confusão.
Se um sujeito com este imaginário se torna herói da esquerda, é porque, realmente, muitos na esquerda brasileira andam sem rumo.
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