Hoje é aniversário do homem que mudou a História do Brasil.
O homem que sobreviveu a miséria, a fome e ao descaso das autoridades em relação a seca no Nordeste.
O homem que em plena Ditadura Militar liderou as maiores greves do Brasil.
O homem que criou a maior central sindical da América Latina.
O homem que fundou o maior partido de esquerda do Hemisfério Sul.
O homem que lutou contra as mais variadas formas de preconceito.
O homem que implantou os maiores programas sociais que o Brasil já teve.
O homem que é reconhecido mundialmente como um dos maiores líderes contemporâneos.
O homem que é um verdadeiro gênio da política.
O homem que se tornou no decorrer da sua trajetória no maior estadista brasileiro de todos os tempos.
O homem que causa amor e ódio, mas nunca indiferença.
Parabéns Presidente Luiz Inácio Lula da Silva!
domingo, 27 de outubro de 2013
terça-feira, 24 de setembro de 2013
Dreyfus, o “mensalão” e o Partido do Capital
Impossível ver o julgamento do chamado
“mensalão” e não me lembrar do famoso caso Dreyfus.
O capitão do exército francês Alfred
Dreyfus é em 1894 acusado e posteriormente condenado por crime de
alta traição e espionagem. Toda a instituição do Exercito francês
se voltou contra o oficial que acabou sofrendo um julgamento à
portas fechadas, cheio de vícios e fraudes, baseado em documentos
falsos. Não obstante, a população francesa insuflada pela imprensa
conservadora se viu transformada em turba ensandecida clamando pelo
linchamento moral do oficial.
Após o julgamento Dreyfus é enviado
para a Ilha do Diabo a fim de cumprir lá sua pena. Todavia sua
família inicia uma investigação por conta própria e descobre o
verdadeiro espião.
Porém, o Exército mostra-se reticente
em reconhecer seus equívocos e usa de todos os artifícios buscando
salvaguardar sua própria instituição.
Nesse momento uma grande corrente de
intelectuais abraça a causa – Émile Zola escreve o famoso
J'accuse, cujo teor acusa vários oficiais e o gabinete de Guerra de
terem sustentado um erro judiciário condenando um inocente – até
que em 1906, doze longos anos após o primeiro julgamento, Dreyfus é
finalmente reabilitado.
O caso rendeu vários livros e pelo
menos um ótimo filme “O julgamento do capitão Dreyfus” de 1958,
estrelado e dirigido por José Ferrer. Entre os livros cito “O
século dos intelectuais” de Michel Winock, Editora Bertrand
Russel.
Na França do século XIX o principal
no julgamento de Dreyfus era preservar a instituição Exército. Já
no Brasil do início desse século, o importante é salvar o que
resta de credibilidade do oligopólio midiático.
O filósofo marxista italiano Antonio
Gramsci chamou a grande mídia de Partido do Capital. E é essa
instituição o verdadeiro polo aglutinador da oposição farisaica e
entreguista, que clama ensandecidamente pelo apedrejamento em praça
pública de José Dirceu, José Genoino, João Paulo Cunha e demais
petistas envolvidos no chamado “mensalão”.
Aqui vale lembrar de outra coisa mais,
uma frase estampada pelo jornal suíço
Neue
Zürcher Zeitung
em 2009: “(...)
a
imprensa brasileira é conhecida internacionalmente por trazer
regularmente notícias de fatos totalmente
inventados, acusações que já destruíram a vida de outras
pessoas(...)”.
Aí
fica a pergunta: qual democracia de fato pode teimar em existir num
quadro onde o maior tribunal de Justiça do País é pautado pelo
Partido do Capital?
quinta-feira, 19 de setembro de 2013
Por que não “Mais Médicos”?
Por Tiago Barbosa Mafra
O Programa Mais Médicos do Governo Federal, lançado em 2013 com intuito de atender a demanda por melhorias na saúde brasileira em todos os aspectos, tem gerado muita discussão e trazido à tona a defasagem ainda existente nesse setor tão importante do serviço público brasileiro.
As críticas principais, levantadas por conselhos estaduais de medicina, pelo conselho federal e outros grupos de profissionais da saúde, referem-se à validação dos diplomas, origem dos médicos, a falta de domínio da língua, os procedimentos vistos como não compatíveis com a realidade brasileira e mesmo o erro de foco, que segundo os acusadores, deveria estar na estrutura oferecida para o sistema de saúde e não em profissionais.
Na verdade há nesse contexto, todo um processo histórico que gera essa tamanha indignação por parte da elite médica. Cabe lembrar que até o final da década de 1980, o sistema de saúde estava vinculado ao sistema previdenciário, o que fazia com que milhões de pessoas figurasse ausentes da cobertura. Essa estrutura que vigorou até pouco mais de 25 anos atrás, erigiu uma estrutura dominada pelos hospitais privados, verdadeiras corporações que cobriam as obrigações do Estado através de convênios e terceirizações, obviamente que acabavam por penalizar os mais pobres e geograficamente distantes dos centros de atendimento.
Contraditoriamente ao andamento histórico do desmonte do Estado de Bem estar Social e da hegemonização do pensamento neoliberal, o Brasil da década de 1980 constrói uma proposta de sistema público de saúde universal, integral, público e participativa socialmente. Com uma proposta de hierarquização e regionalização de serviços conforme a complexidade, o SUS surge como uma proposta arrojada e de democratização de uma direito até então fora do alcance de milhões de brasileiros.
Mas as várias décadas de privatismo e os interesses do complexo industrial da saúde, atreladas às dificuldades de investimentos a que os anos 1990 do neoliberalismo fadaram o país, ainda fazem com que a efetiva implementação do SUS encontre barreira e chegue mesmo a ser questionada sobre sua validade, mesmo com pouco mais de duas décadas de funcionamento.
O país passou pela mesma lógica de desmonte durante a década de 1990, sempre com um
aparato midiático que questionava e ainda questiona o tamanho do Estado e sua capacidade de impulsionar investimentos e gerenciar sistemas tão amplos e complexos como o SUS. Toda a estrutura privada de saúde não desapareceu com a vida da universalização da saúde. Na verdade, se encrustou como uma trincheira de defesa do privado frente ao público, colocando interesses que não coletivos como norteadores de seus trabalhos e o lucro como objetivo máximo.
Resultado desse quadro é a divisão desigual de estrutura hospitalar e de atendimento básico, bem como da indisponibilidade de médicos para atender em áreas pobres, distantes e sem estrutura básica. Felizmente, após anos de influência dos ditames do Consenso de Washington, uma onda democrática de governos progressistas passou a avançar sobre a América Latina, contrapondo o pensamento até então hegemônico do neoliberalismo. No Brasil, essa contraposição passa a ter reflexo na estruturação social, com geração de emprego, aumento da renda e do salário mínimo e aquecimento da economia. Com dez anos dessa nova orientação de redistribuição de renda, a cobrança por serviços públicos foi aos poucos tomando conta da pauta de reivindicações colocadas pela população.
O Governo Federal optou, após um longo período de conciliação de classes que apresenta sinais de esgotamento, em fazer o que era necessário: defender e fortalecer o público, mesmo frente as críticas da elite médica. Aliás, críticas que não se embasam, tendo em vista a amplitude do Programa Mais Médicos, tão questionado nas últimas semanas.
Priorizando sim a estrutura e o fortalecimento do atendimento básico em áreas onde os elitizados médicos não querem ir, o Ministério tem 15 bilhões de reais em investimentos para infra estrutura e hospitais universitários, sendo mais de 7 bilhões já em execução. Além disso há recursos novos para construção de 6 mil UBS´s, ampliação de mais de 11 mil unidades e construção de 225 UPA´s. Assim, isso demonstra que o objetivo não é apenas aumentar o número de médicos disponíveis, mas também ampliar a infraestrutura em especial nas áreas mais distantes e pobres, onde até o atendimento primário é precário.
Além disso, mais de 11 mil vagas para medicina serão disponibilizadas pelo MEC até 2017, contribuindo para a redução do déficit de médicos, além de atrelar a formação à necessidade de prestação de serviços públicos durante dois anos.
Outro aspecto que necessita ser ressaltado é o de que os médicos cubanos, os primeiros
estrangeiros a chegar para auxiliar no início do Programa Mais Médicos tem um perfil que não condiz com o propagado pelos conselhos de medicina e pela mídia conservadora. Dos primeiros 400 médicos que chegaram ao Brasil, 84% tem mais de 16 anos de experiência, 42% já atuaram em missões de solidariedade de Cuba em outros países e 91% deles irão para áreas do Norte e Nordeste, onde há grande deficiência inclusive no atendimento básico primário.
Cabe ressaltar que as críticas tem sido seletivas, uma vez que há estados e municípios que sequer cumprem o constitucional básico de investimento em saúde, como é o caso de Minas Gerais, mas não são colocados como alvo ou sequer penalizados pela mídia. O estado mineiro descumpre os 12% mínimos de investimento em saúde e ainda recorre a subterfúgios chamados de Termo de Ajuste de Gestão (TAG) que o “autoriza” a descumprir a Constituição Federal.
A opção pelo embate que adotou o Governo Federal é um indicativo forte que o momento é de aprofundamento das reformas iniciadas há uma década, que deram seus frutos e que agora exigem uma opção mais clara de qual lado será o que continuará recebendo prioridade: a elite conservadora e seu impulso pelo privatismo/corporativismo ou a classe trabalhadora que clama por serviços públicos efetivamente amplos e com qualidade que a Constituição prevê, mas que até hoje ainda encontra dificuldades para sua consolidação.
Na verdade, o que vemos em andamento é um aprofundamento da solidariedade entre os povos, a possível retomada da luta de classes, sem escamotear os geradores da pobreza e da desigualdade, a violência estrutural e as diferenças sociais ainda gritantes na sociedade brasileira. Enfrentar essa pauta é enfrentar seus geradores, é enfrentar o próprio sistema.
Não há outra análise senão a feita pelo médico Josué de Castro décadas atrás, mas que cabe ainda hoje em razão das contradições ainda vigentes: "Vivemos hoje uma hora de luta decisiva entre o pão e o ouro, simbolizando o pão a segurança e o ouro a especulação." A luta continua. Que venham os médicos e que aprofundemos a solidariedade entre os povos, a opção pelos pobres, a disposição pela redução da desigualdade e a busca por um modelo de sociedade que não reproduza mais a dominação e a exploração.
Tiago Barbosa Mafra é professor de Geografia na rede pública municipal de Poços de Caldas e membro do pré vestibular comunitário Educafro Núcleo Laudelina de Campos Melo.
O Programa Mais Médicos do Governo Federal, lançado em 2013 com intuito de atender a demanda por melhorias na saúde brasileira em todos os aspectos, tem gerado muita discussão e trazido à tona a defasagem ainda existente nesse setor tão importante do serviço público brasileiro.
As críticas principais, levantadas por conselhos estaduais de medicina, pelo conselho federal e outros grupos de profissionais da saúde, referem-se à validação dos diplomas, origem dos médicos, a falta de domínio da língua, os procedimentos vistos como não compatíveis com a realidade brasileira e mesmo o erro de foco, que segundo os acusadores, deveria estar na estrutura oferecida para o sistema de saúde e não em profissionais.
Na verdade há nesse contexto, todo um processo histórico que gera essa tamanha indignação por parte da elite médica. Cabe lembrar que até o final da década de 1980, o sistema de saúde estava vinculado ao sistema previdenciário, o que fazia com que milhões de pessoas figurasse ausentes da cobertura. Essa estrutura que vigorou até pouco mais de 25 anos atrás, erigiu uma estrutura dominada pelos hospitais privados, verdadeiras corporações que cobriam as obrigações do Estado através de convênios e terceirizações, obviamente que acabavam por penalizar os mais pobres e geograficamente distantes dos centros de atendimento.
Contraditoriamente ao andamento histórico do desmonte do Estado de Bem estar Social e da hegemonização do pensamento neoliberal, o Brasil da década de 1980 constrói uma proposta de sistema público de saúde universal, integral, público e participativa socialmente. Com uma proposta de hierarquização e regionalização de serviços conforme a complexidade, o SUS surge como uma proposta arrojada e de democratização de uma direito até então fora do alcance de milhões de brasileiros.
Mas as várias décadas de privatismo e os interesses do complexo industrial da saúde, atreladas às dificuldades de investimentos a que os anos 1990 do neoliberalismo fadaram o país, ainda fazem com que a efetiva implementação do SUS encontre barreira e chegue mesmo a ser questionada sobre sua validade, mesmo com pouco mais de duas décadas de funcionamento.
O país passou pela mesma lógica de desmonte durante a década de 1990, sempre com um
aparato midiático que questionava e ainda questiona o tamanho do Estado e sua capacidade de impulsionar investimentos e gerenciar sistemas tão amplos e complexos como o SUS. Toda a estrutura privada de saúde não desapareceu com a vida da universalização da saúde. Na verdade, se encrustou como uma trincheira de defesa do privado frente ao público, colocando interesses que não coletivos como norteadores de seus trabalhos e o lucro como objetivo máximo.
Resultado desse quadro é a divisão desigual de estrutura hospitalar e de atendimento básico, bem como da indisponibilidade de médicos para atender em áreas pobres, distantes e sem estrutura básica. Felizmente, após anos de influência dos ditames do Consenso de Washington, uma onda democrática de governos progressistas passou a avançar sobre a América Latina, contrapondo o pensamento até então hegemônico do neoliberalismo. No Brasil, essa contraposição passa a ter reflexo na estruturação social, com geração de emprego, aumento da renda e do salário mínimo e aquecimento da economia. Com dez anos dessa nova orientação de redistribuição de renda, a cobrança por serviços públicos foi aos poucos tomando conta da pauta de reivindicações colocadas pela população.
O Governo Federal optou, após um longo período de conciliação de classes que apresenta sinais de esgotamento, em fazer o que era necessário: defender e fortalecer o público, mesmo frente as críticas da elite médica. Aliás, críticas que não se embasam, tendo em vista a amplitude do Programa Mais Médicos, tão questionado nas últimas semanas.
Priorizando sim a estrutura e o fortalecimento do atendimento básico em áreas onde os elitizados médicos não querem ir, o Ministério tem 15 bilhões de reais em investimentos para infra estrutura e hospitais universitários, sendo mais de 7 bilhões já em execução. Além disso há recursos novos para construção de 6 mil UBS´s, ampliação de mais de 11 mil unidades e construção de 225 UPA´s. Assim, isso demonstra que o objetivo não é apenas aumentar o número de médicos disponíveis, mas também ampliar a infraestrutura em especial nas áreas mais distantes e pobres, onde até o atendimento primário é precário.
Além disso, mais de 11 mil vagas para medicina serão disponibilizadas pelo MEC até 2017, contribuindo para a redução do déficit de médicos, além de atrelar a formação à necessidade de prestação de serviços públicos durante dois anos.
Outro aspecto que necessita ser ressaltado é o de que os médicos cubanos, os primeiros
estrangeiros a chegar para auxiliar no início do Programa Mais Médicos tem um perfil que não condiz com o propagado pelos conselhos de medicina e pela mídia conservadora. Dos primeiros 400 médicos que chegaram ao Brasil, 84% tem mais de 16 anos de experiência, 42% já atuaram em missões de solidariedade de Cuba em outros países e 91% deles irão para áreas do Norte e Nordeste, onde há grande deficiência inclusive no atendimento básico primário.
Cabe ressaltar que as críticas tem sido seletivas, uma vez que há estados e municípios que sequer cumprem o constitucional básico de investimento em saúde, como é o caso de Minas Gerais, mas não são colocados como alvo ou sequer penalizados pela mídia. O estado mineiro descumpre os 12% mínimos de investimento em saúde e ainda recorre a subterfúgios chamados de Termo de Ajuste de Gestão (TAG) que o “autoriza” a descumprir a Constituição Federal.
A opção pelo embate que adotou o Governo Federal é um indicativo forte que o momento é de aprofundamento das reformas iniciadas há uma década, que deram seus frutos e que agora exigem uma opção mais clara de qual lado será o que continuará recebendo prioridade: a elite conservadora e seu impulso pelo privatismo/corporativismo ou a classe trabalhadora que clama por serviços públicos efetivamente amplos e com qualidade que a Constituição prevê, mas que até hoje ainda encontra dificuldades para sua consolidação.
Na verdade, o que vemos em andamento é um aprofundamento da solidariedade entre os povos, a possível retomada da luta de classes, sem escamotear os geradores da pobreza e da desigualdade, a violência estrutural e as diferenças sociais ainda gritantes na sociedade brasileira. Enfrentar essa pauta é enfrentar seus geradores, é enfrentar o próprio sistema.
Não há outra análise senão a feita pelo médico Josué de Castro décadas atrás, mas que cabe ainda hoje em razão das contradições ainda vigentes: "Vivemos hoje uma hora de luta decisiva entre o pão e o ouro, simbolizando o pão a segurança e o ouro a especulação." A luta continua. Que venham os médicos e que aprofundemos a solidariedade entre os povos, a opção pelos pobres, a disposição pela redução da desigualdade e a busca por um modelo de sociedade que não reproduza mais a dominação e a exploração.
Tiago Barbosa Mafra é professor de Geografia na rede pública municipal de Poços de Caldas e membro do pré vestibular comunitário Educafro Núcleo Laudelina de Campos Melo.
sábado, 7 de setembro de 2013
Nesse 7 de Setembro, chega de hipocrisia, meias palavras ou medo de falar a verdade!
Porém (ah, sempre há esse bendito, ou maldito, porém) até o momento não surgiram provas realmente cabais sobre a existência de fato de um esquema nos moldes do chamado “mensalão”, e duvido que tenho existido esquema nesse molde.
Não pretendo entrar a fundo na questão, mas o que vimos, e pra mim está claro, foi um julgamento político típico de estado de exceção (ditadura) presidido pela mais alta corte do País, o Supremo Tribunal Federal.
Por isso, venho aqui dar minha sincera solidariedade a uma das figuras mais importantes da História recente do Brasil.
Um homem que lutou contra a Ditadura Militar sendo por essa razão perseguido, preso, torturado e depois deportado do país em troca da libertação do embaixador estadunidense Charles Burke Elbrick.
Um homem que viveu no exílio e depois na clandestinidade dentro do próprio Brasil.
Um homem que com a Anistia (1979) retornou a vida “normal” e ajudou a fundar o maior partido de esquerda da América Latina.
Um homem que participou das lutas pela redemocratização, da campanha das Diretas Já, da Constituição de 1988 (ainda que de forma indireta, pois nesse período era deputado estadual por São Paulo), do Fora Collor.
Um homem que foi uma das referências contra o governo FHC e o neoliberalismo dos anos 1990.
Um homem que foi fundamental para a chegada do PT ao governo federal em 2002.
Um homem que agora, em pleno 2013, poderá ser condenado a prisão num julgamento cujo o desfecho todos já conheciam.
Um homem que foi condenado num julgamento inegavelmente influenciado pelo oligopólio da mídia conservadora e entreguista.
Por tudo isso, ratifico, sou solidário ao futuro “preso político” Zé Dirceu!
quarta-feira, 28 de agosto de 2013
segunda-feira, 12 de agosto de 2013
o petê e O PT
Por Paulo Cássio Pereira
Constantemente
a mídia direitista/golpista
e alguns partidos tentam culpar e imprimir de petê
a tudo aquilo que não presta, ou seja, às
mazelas das heranças culturais e politiqueiras que existem no
Brasil, entre elas a falta de ética, a corrupção, a desigualdade
social, etc. A pecha petê
só existe na mentalidade de alguns gatos pingados que desconhecem a
história coletiva das pessoas que incansavelmente e de forma
aguerrida lutaram para a mudança da realidade brasileira. A mídia
tendenciosa e alguns partidos de cultura conservadora de direita
deveriam saber que alcunha ou apelidos não carinhosos geralmente são
dados a bandidos e, por isso,
precisam rever conceitos éticos das suas ações.
Por
outro lado o PT
(Partido
dos Trabalhadores)
possui identidade/DNA, tem o nome respeitado porque é o Partido
Político que na
década de 80 teve seu nascedouro junto ao clamor popular direto das
ruas com a participação efetiva dos movimentos sociais
comprometidos com a esquerda, entre eles os sindicatos, as
comunidades eclesiais de base da igreja ligada a teologia da
libertação e ao movimento
estudantil. Promoveu no país uma revolução no jeito de fazer
política, dando oportunidade aos companheiros/militantes de
resgatarem a esperança e debaterem a conjuntura política, num
momento em que pensar de forma antagônica e ser crítico era crime
contra o status quo do governo militar.
Os
verdadeiros companheiros não eram militantes só nos finais de
semana. Eles não usavam o termo “vestir a camisa” porque isso é
marketing empresarial capitalista, pois consideravam que nossa
própria pele já é a nossa vestidura, muitos transpiraram e
transcenderam os valores da vida e deram o sangue pela utopia de uma
nova sociedade e política em suas comunidades.
No
Partido dos
Trabalhadores os
debates sempre foram acalorados, mas com riqueza ideológica devido a
pluralidade de idéias. O PT
era o grande arcabouço dos movimentos sociais de esquerda que
funcionava como um grande plenário, porque a formação política e
ideológica acontecia no enfrentamento vivido no cotidiano dos seus
militantes nos lugares onde trabalhavam, estudavam e moravam.
O PT no
campo das idéias é carregado de valores e significados, além de
representar uma transformação nos meios políticos do país.
Primeiro porque ele nasceu nas bases e tem riqueza nos debates das
causas populares. Só para lembrar de algumas das várias tendências
dentro do próprio Partido:
Articulação, Convergência Socialista, Trotskista e Lenilista, PT
mais a Esquerda etc., sem aprofundar ainda que dele se originou
várias lideranças que criaram outros partidos ou atuaram nas
organizações não-governamentais que contribuíram para o
fortalecimento da democracia.
Os
ventos das mudanças no mundo estão aí. Conotações religiosas à
parte, percebam os sinais vindos desde a renúncia do papa
conservador Bento XVI e a eleição do novo Francisco,
latino-americano que celebrou uma missa para as comunidades eclesiais
de base em Aparecida quando veio no concílio antes de ser papa, as
denúncias e o destaque das legítimas manifestações populares e os
anseios pela reforma política.
Para
concluir e fazer uma reflexão junto às críticas e as questões
éticas na política, aos problemas internos do Partido e pensarmos
qual PT queremos,
gostaria de lembrar da seguinte história do
avô em relação a seu neto adolescente que estava em crise
existencial, brigava muito com seus colegas e deixava de frequentar
a escola, que é a seguinte:
-
O avô convidou o neto para tomar um chá, pegou o bule e foi
tornando o chá na caneca, que foi enchendo, enchendo até
transbordar. O neto assustado gritou que a caneca estava cheia e que
o chá derramado queimava a sua mão. Calmamente, o avô respondeu
que aquela caneca significava a vida do neto que estava cheia de tudo
e por isso transbordava arrogância, prepotência, sabe-tudo
etc. O avô disse ainda que em determinados momentos da vida é
preciso esvaziar-se para aprender, se abrir ao novo e ter mais
sabedoria, e ensinou uma parábola de que dentro do ser humano teria
dois cães na sua estrutura psicológica/emocional. Contou que dentro
de nós existe um cão dócil, fiel, seguro, que sabe o que quer,
que possui ternura com as pessoas, que é festivo, que trabalha, que
tem segurança e que ajuda olhar a casa; mas também existe o outro
cão inseguro, violento, que suja o ambiente, que é agressivo, que
mete medo e que ataca as pessoas. O neto curioso perguntou: _ E
afinal, qual dos dois vence vovô? E o velho sábio respondeu: Vence
aquele que a gente cuida e alimenta melhor...
Paulo
Cássio Pereira é Professor de História e companheiro de Lutas aqui em Poços.
terça-feira, 2 de julho de 2013
Oportunidade Histórica
De
todas as propostas apresentadas pelas instâncias de poder até o
momento a fim de responderem as manifestações de julho, a mais
ousada e que de fato daria uma resposta a altura das manifestações
foi exatamente a de uma Assembleia Constituinte.
Ainda
que essa Assembleia viesse a tratar exclusivamente da reforma
política – o que parece pouco, mas indubitavelmente já
representaria um avanço sem precedentes desde 1988 – seria a
oportunidade há muito aguardada para colocarmos o dedo na ferida:
como são financiadas as campanhas? como são formadas as alianças
com vistas ao horário eleitoral? qual o objetivo de partidos
ideologicamente, ou ao menos historicamente, tão discrepantes se
unirem numa coligação proporcional? Tudo isso estaria em debate
numa Assembleia Constituinte.
Todavia
a grita da direita encastelada desde o oligopólio midiático até as
mais altas cortes de Justiça, passando por associações patronais,
pelo Congresso Nacional, por governos estaduais e chegando aos partidos da
chamada “base aliada”, retirou tal proposta da agenda.
De
imediato as forças progressistas – ah, quanta saudade de quando o
Partido dos Trabalhadores usava em seu vocabulário o termo Campo
Democrático Popular! – encamparam a ideia de um plebiscito. Algo
sem a abrangência da Assembleia Constituinte, mesmo assim uma ideia
altamente democrática e com ares de inovação em nossa democracia
formal, cujo teor trará questões objetivas sobre uma reforma
política, senão tão ampla, ao menos com potencial de mudar
substancialmente o quadro caso algumas de suas propostas sejam
acatadas pela população.
Não
obstante, demorou menos ainda para que a direita novamente se
mostrasse contrária e em ato contínuo iniciasse uma campanha
bradando a bolivarização do Brasil e que o mais certo em casos
assim seria o Congresso votar em regime de urgência uma reforma
política e colocá-la em termos de consulta à população na forma
de referendo.
A
estratégia da direita é clara, inibir a todo o custo o debate
aprofundado sobre a Reforma Política que se arrasta há quase duas
décadas num Congresso dominado por interesses privados, enquanto o
Judiciário afirma não haver possibilidade constitucional para se convocar uma Assembleia Constituinte exclusiva ou mesmo um plebiscito
popular.
O que a direita não compreendeu é que o que está posto em xeque pela população que saiu às ruas é exatamente o staus quo, o estabilishment,o sistema putrefato ao qual a própria direita está umbilicalmente amarrada e não conseguirá se dissociar por mais que tente ou consiga surfar na onda das manifestações legítimas em seu todo e justas no geral. É como se dissessem aos manifestantes: “Fiquem calmos, nós entendemos que vocês estão contra o sistema e cansados dele. Então vamos chamá-lo pra resolver essa questão”.
O que a direita não compreendeu é que o que está posto em xeque pela população que saiu às ruas é exatamente o staus quo, o estabilishment,o sistema putrefato ao qual a própria direita está umbilicalmente amarrada e não conseguirá se dissociar por mais que tente ou consiga surfar na onda das manifestações legítimas em seu todo e justas no geral. É como se dissessem aos manifestantes: “Fiquem calmos, nós entendemos que vocês estão contra o sistema e cansados dele. Então vamos chamá-lo pra resolver essa questão”.
Por
outro lado, a Presidenta Dilma e os partidos de esquerdas parecem ter
compreendido que contra o sistema não se coloca mais sistema, mas
sim dá ouvidos a sociedade estabelecendo canais de diálogo e de
participação mais ativa. Isso me faz lembrar do filósofo grego
Cornelius Castoriadis: "As
instituições dos dias de hoje enxotam, afastam, dissuadem as
pessoas de participar. E, no entanto, em matéria de política, a
melhor educação é a participação ativa –
o que exige uma transformação das instituições de modo que essa
participação passe a ser permitida e incentivada."
Ademais,
o PT está sendo obrigado a reconhecer muito antes do que imaginara,
que os avanços obtidos ao longo dos últimos dez anos através de
uma reforma gradual e de um pacto conservador, como analisou André Singer, relegou a segundo plano as tradicionais bandeiras do próprio
Partido dos Trabalhadores. Reformas estruturais sempre defendidas
foram esquecidas ou relegadas a terceiro, quarto, quinto plano em
nome da tal governabilidade. Foi assim com a própria reforma
política, como também a reforma federativa, a reforma agrária, a
reforma urbana, a reforma fiscal/tributária (alterando a perversa
fórmula brasileira aonde o mais pobre paga proporcionalmente mais
impostos que o mais rico), além das reformas sindical e trabalhista
(que de fato atendam aos interesses do trabalhador) e das prementes
democratização da mídia, taxação sobre grandes fortunas, redução
da jornada de trabalho.
Entretanto,
a mesma crise do tamanho de um tsunami que perturba Brasília na
comemoração do décimo ano em que forças mais próximas à
esquerda estão no poder, trouxe consigo uma oportunidade histórica
de a esquerda se reencontrar consigo. A oportunidade da esquerda
impor-se sobre os interesses conservadores e propor o aprofundamento
dos ganhos sociais e a radicalização da retórica e da práxis
democrática.
Em
suma, para a esquerda, para o Campo Democrático Popular, não há
meio termo possível; ou
encabeça
o processo de mudanças desempenhando o papel que a História sempre
lhe
reservou de ser vanguarda, ou será
engolida
pelo tsunami que vem das ruas.
Afinal,
embora a
direita não compreenda o valor desse
tsunami cheio
de demandas
e reivindicações típicas da esquerda, a pulverização e a difusão
de tantas outras demandas somadas
a frustração de não serem atendidas pode
facilmente torná-lo
caldo fascista para
uma reação contra a Democracia.
O hino pela mudança
Por
Ana Paula Ferreira
Há alguns anos atrás Rita Lee escrevera que “Mais vale um craque de gol do que dois de araque no ministério” e hoje, o Brasil sendo o país acolhedor da Copa de 2014 tem motivos de sobra para mostrar o contrário.
Embora
ainda muitos brasileiros acompanhem os jogos da seleção, pode-se
dizer que o sucesso atualmente não está nos campos, está nas ruas.
São
milhares de brasileiros que foram às ruas de suas cidades com
cartazes e multiplicidade de vozes para erguerem suas bandeiras de
educação, saúde, respeito às diferenças e transporte público.
Foram tantas as demandas que um imenso grupo se erguia, fugia-se do
controle e ora se via cartazes vagos e burgueses como “Fora
Corrupção!” (De quem? Contra quem? Qual proposta se faz?), ora
com faixas conservadoras “A favor da pena de morte!”.
Entretanto, isso é a ilustração de uma adormecida mobilização
popular brasileira em massa, pós-ditadura.
O
mais interessante é que esse movimento foi ganhando corpo e objetivo
específico: lutar a favor de um transporte público que caminhe na
mesma direção das necessidades do povo.
Sem
querer se fazia política!
No
meio da multidão se ouvia “Não queremos política”, mas se
ignorava que a própria pressão popular é também um ato político.
Política não está relacionada a apenas o período eleitoral. É um
processo em que grupos disputam o poder e decisões são tomadas para
resolução de conflitos no que concerne a bens públicos. O
movimento faz política quando se mostra enquanto grupo que usufrui
de um transporte público caro e ineficiente e que, portanto, disputa
o poder contra os empresários desse ramo. O governo faz a política
oferecendo a resposta, seja ela truculenta, figurada na tropa de
choque de Alckmin, ou ainda na ridícula liminar de Anastasia,
proibindo manifestações em época de Copa das Confederações. Mas,
política pode também ser uma tomada de posicionamento dialógico,
que busca atender as demandas da população. E quando a presidenta
Dilma retira impostos sobre as empresas de transporte público, ela
cumpre esse papel de diminuição da tarifa.
Se
estivéssemos no mundo Antigo poderíamos dizer que estamos armados
junto com Ares, o deus grego da guerra. Não que estejamos depredando
patrimônio, ou agindo com violência. Contudo, muitos estão
inflamados pela ação de participar, sob a agitação da pressão
popular e o anseio da antítese. Vivenciamos um momento histórico em
que cantamos o hino nacional nas ruas, que longe de dar início a um
jogo futebolístico, está na verdade abrindo as portas para a voz do
povo, que ama seu Brasil e clama por mudanças.
Essas
mudanças não vêm apenas com milhares de pessoas indo às ruas. É
ingenuidade pensar assim. Talvez por isso os gregos tenham inventado
Atena, contraponto de Ares. Essa deusa, embora seja pertencente ao
sentimento de guerra, age com inteligência, sabedoria e negociação.
Enquanto
povo, vimos nossa força nas ruas. Vimos que somos sujeitos de nossa
história e dos que virão. Vimos que somos atores desse grande
palco, mas que sem a sabedoria de Atena não conseguiremos dar ênfase
a pontos chave. Será apenas uma grande massa desorganizada e
desarticulada. Por isso, não tem como fugir da política: precisamos
de representantes que respondam por nós em políticas públicas de
qualidade.
Façamos,
portanto, que Ares e Atena estejam com o povo nessa empreitada!
Ana
Paula Ferreira é Pedagoga, Coordenadora Pedagógica do Pré
Vestibular Comunitário Educafro e professora da rede municipal de
ensino de Poços de Caldas.
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