Por Tiago
Mafra
tiago.fidel@yahoo.com.br
Após a artimanha da redução do Imposto Sobre Serviço de Qualquer Natureza (ISSQN) de 5% para 2%, aprovada sem entraves na Câmara Municipal, livre sequer de uma oposição corajosa no último 17 de dezembro, o alarde foi de que a tarifa seria mantida no valor de R$ 2,80.
Com
uma isenção de mais de 1 milhão de reais ano, a esperança era de
que as requisições de reajuste cessassem pelo próximo ano, como
afirmou o Executivo e acreditou o Legislativo. Balela...
Menos
de dois meses depois, a tarifa é reajustada para R$ 3,00, que
passará a vigorar a partir de 8 de fevereiro. A justificativa:
“manter o equilíbrio financeiro do sistema de transporte coletivo
urbano e garantir a qualidade do serviço”. Equilíbrio que o
discurso corrente em dezembro garantia que a redução de impostos
asseguraria.
Além
disso, alguns argumentos oficiais do executivo Municipal valem
análise e contraponto:
1º
“A correção se dá após dois anos sem reajustes”:
Não estamos a 2 anos sem aumento. A empresa obteve diversos
incentivos desde as manifestações de 2013, com redução de
impostos federais, com a redução de 60% de ISSQN, com acréscimo de
R$ 0,20 ainda em 2014 e mais R$ 0,20 a partir de fevereiro deste ano.
2º
“A correção da tarifa ocorre juntamente a uma série de melhorias
no sistema de transporte coletivo urbano”:
o poder público, ao conceder ajuste, anuncia juntamente medidas que
considera melhorias fruto de um levantamento feito junto à
população. Realmente as demandas são justas e necessárias, mas
não devem ser encarados como “benefícios” ou contrapartidas. O
contrato de concessão (205/04) que rege o serviço prevê que ao
“poder concedente (prefeitura) cabe zelar pela boa qualidade do
serviço” e à concessionária “prestar serviço adequado,
executar todas as atividades relativas à concessão com zelo,
diligência e economia”. É, portanto, obrigação contratual de
ambas as partes a manutenção da qualidade do serviço vigente.
Porém,
outras previsões contratuais parecem não estar em muita evidência
como as demais. A fiscalização permanente, obrigação do
Executivo, continua um mistério para a população. Nenhuma medida
de transparência foi tomada para garantir maior participação ou
para sanar as dúvidas quanto à metodologia de acompanhamento, como
a quantidade de servidores que fiscalizam o serviço, com que
frequência o fazem, dispondo de quais meios para confrontar dados
aferidos com os apresentados pela concessionária.
Assim,
com um belo “chapéu” dado da Câmara Municipal, mais R$ 0,20 no
bolso, digo, na tarifa e menos 60% de ISSQN, o equilíbrio financeiro
da prestadora do serviço (que mais parece a proprietária do mesmo)
está garantido. Garantido até que ela mesma apresente nova
requisição, que ninguém contradirá, porque não têm meios e nem
vontade política para tal.
Abrir
mão de receita parece um bom negócio para uma prefeitura em crise
financeira. Ganhar mais vinte centavos, uma grande jogada para quem
acabou de ter isenção de imposto. Fazer 15 vereadores defenderem
fielmente algo que não se concretiza, um grande espetáculo cômico,
onde no fim, rimos de nós mesmos. Tudo pelo equilíbrio econômico
financeiro, da empresa é claro.
É
como se diz: “Quanto
mais te agachas, mais te põem o pé em cima.”
Tiago Mafra é companheiro de lutas populares aqui em Poços de Caldas, professor de geografia na rede pública municipal de ensino e coordenador do Educafro.
Um comentário:
Desastroso o atual governo do PT em Poços de Caldas. Faz jus ao desgoverno no país. A prefeitura esteve quebrada nos últimos mandatos mas não aponto de ter sua conta bloqueada por não ter dinheiro para comprar um remédio de uso vital para um de seus munícipes que teve de ganhar na justiça o direito de tratamento. A PREFEITURA ainda enrolou por 8 dias o doente dizendo que estava comprando o remédio. Ao fim do prazo disse que não tinha o dinheiro. Uma vergonha fazer alguém que já sofre de uma doença terrível e mortal como o câncer, esperar. A Prefeitura do PT em Poços de Caldas, faz "jogos políticos" até com quem está entre a vida e a morte. UM LIXO...Decepção e descrença nesse partido, bem como nos "pensadores" e "intelectuais" que o compõe.
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