domingo, 16 de maio de 2010

Paulistas pagam impostos para Serra fazer campanha pelo Brasil

Difícil de acreditar, mas a Folha de São Paulo – jornal que há algum tempo faz parte do braço midiático do PSDB – trouxe a tona uma revelação com potencial para macular (ainda mais) o discurso moralista dos tucanos.

O ex-governador de São Paul e pré-candidato do PSDB à presidência da República, José Serra, está em campanha aberta por todo o Brasil à caça de votos, isso não é novidade para ninguém, o que poucos sabem é que essa caça está sendo financiada com dinheiro público. Serra se desincompatibilizou do governo paulista na primeira semana de abril passado, contudo até hoje continua a utilizar benesses como o serviço de segurança, carros, assessores e celulares pagos pelo erário paulista.

Como Raymundo Faoro deixa claro em “Os donos do poder”, estruturalmente nossa elite desconhece a fronteira entre o público e o privado.

Serra utiliza estrutura do Estado após deixar o cargo

José Serra transmitiu o governo de São Paulo ao seu vice, Alberto Goldman, no dia 6 de abril. Foi à campanha.

O ex-governador desfila sua candidatura pelo país. De 14 de abril até a última sexta (15), já havia realizado 15 viagens. Visitara, no total, dez Estados.


Pois bem, 40 dias depois de se despedir do Palácio dos Bandeirantes, o candidato utiliza em eventos de campanha estrutura provida pelo Estado.


Serra dispõe de agentes de segurança pagos pelo contribuinte. Acompanham-no inclusive nas viagens.


Os gastos com combustível e celular da equipe de guarda-costas correm por conta da Viúva estadual.


Há mais: Em São Paulo, o candidato e parte de seu staff vêm utilizando carros oficiais para se deslocar a eventos de cunho eleitoral.


Não é só: contratados para a campanha, ex-servidores da secretaria de Comunicação do governo manuseiam celulares com os mesmos números de antes.


Deve-se o lote de revelações a um par de repórteres: Catia Seabra e Breno Costa. As informações constam de notícia que a dupla levou às páginas da Folha.


Instado a se manifestar, o governo do Estado alegou que não há nos achados nada que de irregular. Por meio de nota, informou-se:


1. Decreto editado em março de 2004 (48.526) obriga o Estado a prover segurança “de ex-dignitários e familiares no período de duração do mandato subsequente".


2. Quantos são os agentes destacados para fazer a segurança do ex-governador? O decreto não especifica. E o governo não informa.


3. Alega-se que o segredo visa resguardar a atividade da segurança.


4. Em 2006, ao trocar o governo pela candidatura presidencial, o tucano Geraldo Alckmin servia-se de dois agentes. E se movia em carro próprio. Uma Parati.


5. Na última quarta-feira (12), os repórteres testemunharam a presença de 12 agentes de segurança do Estado na casa de Serra, em São Paulo.


6. Sobre os ex-servidores deslocados para a campanha, informou-se que já não integram a folha do governo.


7. E quanto aos celulares? "A devolução de telefones celulares [...] é sempre solicitada" no ato do "desligamento...”


8. Abre-se, porém, “a possibilidade de conservar o número, para o melhor desempenho de funções, em especial junto à imprensa".


9. A nota esclarece: "Eventuais despesas residuais ou remanescentes (em contas telefônicas) são sempre adequadamente apuradas e recompostas ao orçamento da Secom".


10. Em esclarecimentos adicionais, o PSDB informou que, noves fora a segurança estatal, saem de suas arcas as verbas que bancam a pré-campanha de Serra.


11. Incluem do aluguel de jatinho e imóveis à contratação da empresa GW, que tem como sócio o marqueteiro de Serra, Luiz Gonzalez.

Ainda que o governo se escore num decreto, parece estranho, para dizer o mínimo, que Serra, agora candidato, cruze o mapa do país com escolta oficial.

4 comentários:

deladeia disse...

Concordo em gênero, número e grau com o que você escreve sobre o Serra, mas infelizmente essa prática é comum a todos os candidatos, inclusive a da situação, Dilma Roussef. Mencionar apenas o Serra pode sugerir que você é tendencioso, o que desmerece o espírito científico.
Penso que mais do que nunca é preciso resgatar o espírito republicano em que os recursos públicos sejam efetivamente separados do privado.
Abraços.

Blog do Morani disse...

Sou pela desvinculação de todas e quaisquer verbas para cobrir despesas de campanha eleitoral.
Se não há dinheiro para determinados problemas mais urgentes, por que esse beneplácito aos postulantes a cargos eletivos? Que saiam de seus bolsos ou totalmente dos cofres dos próprios partidos. Se não teem condições para tanto, que se fechem as portas dessas partidos e que vão solicitar essas verbas no exterior, que está de olho grande e muito interessado nesse ou naquele candidato. A continuar esse estado de coisas, vamos jogar dinheiro fora.

RLocatelli Digital disse...

Ultimamente a Folha, O Globo e até o Estadão têm dado alfinetadas em Serra. Tudo porque o moço resolveu dizer, na CBN, que é contra a autonomia do Banco Central. É um aviso do Café Milenium a Serra, como se dissessem: ou você reza por nossa cartilha, ou olha só como podemos desruir você num estalar de dedos.

RLocatelli Digital disse...

Por essas e outras é que sou favorável ao financiamento público exclusivo para as campanhas eleitorais.