Uma de minhas músicas preferidas de Bob Dylan!!!
domingo, 29 de abril de 2012
sábado, 28 de abril de 2012
Enio Squeff -- O senador, a mídia e o 'grand finale' da ópera
As relações naturalmente promíscuas entre membros do Congresso e a contravenção penal, só são uma novidade por terem se desvelado na atual conjuntura. No mais, que tudo tenha acontecido com um moralista de plantão, tido pela grande imprensa como o mais honesto dos congressistas, não chega a ser um enredo para novela de mau gosto. Somerset Maugham no seu conto "A Chuva" põe um pastor a ser flagrado numa relação mais que escandalosa com uma prostituta. Nada que seja pior do que o conluio entre o senador Demóstenes Torres e o contraventor Carlinhos Cachoeira. É que os enredos de novelas e de óperas, quando minimamente coerentes, podem ser inferiores à realidade. A tragédia da ópera "Carmen", de Bizet, baseado no romance homônimo de Prosper Merimée, não é que o protagonista se junta a um bando de contraventores -contrabandistas - para seguir a sua amada - mas o fato, mais que corriqueiro, de que, ao se tornar bandido, acaba também como um assassino.
Não que os crimes que incluam políticos e contraventores estejam isentos de protagonizarem também mortes. O caso do prefeito Celso Daniel em Santo André prefigura a quantas mortes pode chegar o que, à primeira vista, seria um caso de corrupção, um "simples" caso de corrupção. A diferença para o episódio que gerou uma CPI parece residir na mediocridade de ambos os personagens do fato denunciado recentemente, ou, se quisermos, na sensaboria dos protagonistas.
Na galeria de personagens literários brasileiros do século XIX, a convivência com o jogo do bicho não chegava a machucar ninguém. Mas não havia também qualquer proibição à prática. A contravenção, modernamente, considerada que tal, põe em relevo a mesma questão que se coloca para o caso dos tóxicos: quem nasceu primeiro, a oferta ou a demanda: o ovo ou a galinha? Um dos exemplos emblemáticos de Machado Assis - dos poucos em que ele assume diretamente uma questão política - se dá na sua peça "O Quase Ministro". O título já diz tudo, inclusive sobre a ironia do escritor. Mas a trama em si fala muito pouco para os nossos tempos: o que avulta é a ambição humana - nada de conchavos, tendo como pano de fundo o poder econômico.
Não que os crimes que incluam políticos e contraventores estejam isentos de protagonizarem também mortes. O caso do prefeito Celso Daniel em Santo André prefigura a quantas mortes pode chegar o que, à primeira vista, seria um caso de corrupção, um "simples" caso de corrupção. A diferença para o episódio que gerou uma CPI parece residir na mediocridade de ambos os personagens do fato denunciado recentemente, ou, se quisermos, na sensaboria dos protagonistas.
Na galeria de personagens literários brasileiros do século XIX, a convivência com o jogo do bicho não chegava a machucar ninguém. Mas não havia também qualquer proibição à prática. A contravenção, modernamente, considerada que tal, põe em relevo a mesma questão que se coloca para o caso dos tóxicos: quem nasceu primeiro, a oferta ou a demanda: o ovo ou a galinha? Um dos exemplos emblemáticos de Machado Assis - dos poucos em que ele assume diretamente uma questão política - se dá na sua peça "O Quase Ministro". O título já diz tudo, inclusive sobre a ironia do escritor. Mas a trama em si fala muito pouco para os nossos tempos: o que avulta é a ambição humana - nada de conchavos, tendo como pano de fundo o poder econômico.
É claro que isso existia. O milagre de o Brasil ter se tornado uma única nação, parece não ter obedecido à lógica da distância da metrópole, como ocorreu na América Latina de fala espanhola. Não são poucos os historiadores que defendem a anterioridade da data da nossa independência; o Brasil teria se tornado um país desligado de Portugal, não em 1822, quando Dom Pedro I institucionalizou o que, de fato, já tinha acontecido em 1808. Ao dar ao Brasil o status de reino, Dom João VI sabia que o resto seria uma questão de tempo para os ajustes, como, de qualquer modo, aconteceu. Mas na América espanhola as diferenças e a lonjura da metrópole se fizeram consoante os interesses econômicos dos países europeus. A Inglaterra prescindiu de perder tempo com as possíveis dissidências brasileiras: um rei submisso à Coroa Britânica, como foi àquelas alturas com a monarquia portuguesa, era tudo que a Inglaterra queria depois da derrota de Napoleão.
Nada disso deve ter obstado as burlas, as grandes jogadas financeiras. A história do Brasil tem seus detratores e muitos historiadores sérios: falta, porém, contar o que só nos está sendo revelado agora, após o período militar -do qual aliás, só sabemos o que é público e notório - as torturas, a covardia de muitos, a coragem de outros - mas e a corrupção? Qual o custo real da Transamazônica, da ponte Rio-Niterói, de Itaipu, ou dos aeroportos como Viracopos, construídos justamente durante a ditadura?
São questões em aberto. Na peça de Machado, ser ministro não importava tanto como hoje . Quem mandava era o império e suas tenazes que parecem terem se estendido até a República Velha. Jorge Street, único empresário paulista que aceitou as reivindicações da primeira greve laboral conhecida no Brasil e que se deu, em 1917, em São Paulo, foi exemplarmente punido por sua abertura em relação aos problemas sociais. Teve cortado seu crédito pelos banqueiros da época. Nenhum problema de corrupção, em princípio - mas seja qual for o nome que se dê às maquinações de empresários com o estado, contra uma classe social, como a dos trabalhadores, o poder do capital foi usado de forma a suprimir a voz discordante do meio empresarial.
Ao que parece, porém, o tema da corrupção era menos importante - ou um assunto irrelevante perante o poder efetivo, real. Napoleão sempre tolerou que Talleyrand - pai "natural" do grande pintor Eugène Delacroix - surrupiasse onde pudesse: julgava-o mais útil como diplomata, do que condenável por seus procedimentos, digamos, nada heterodoxos em relação ao dinheiro público.
No Brasil atual, por conta e risco - quem sabe - de "um deixa pra lá" muito comum e leniente com a corrupção- chegou-se, por fim, ao inaceitável. As próprias relações do senador com o bicheiro, parece só se terem tornado um assunto nacional por esses "imbroglios" da história, ou antes, uma submissão paradoxalmente, momentânea digamos, da polícia com o governo. Essa, parece, a razão da surpresa da grande imprensa com o fato. O banco dos réus ocupado pelo senador Demóstenes Torres deveria, segundo a lógica da mídia, estar sendo tomado por alguém do governo; ou de esquerda. As capas e manchetes foram sempre monopolizadas pelo senador como "paladino" da moralidade, e portanto, do sistema. Só um erro de percurso explica os acontecimentos. Daí, porém, a busca quase desesperada da mídia: ao que parece, é preciso encontrar fatos que incriminem o governo e seus aliados.
É isso que parece fazer da história e da arte o que elas são (se é que as duas sejam, afinal, muito diferentes): troquem-se os nomes e o filme será, sem tirar nem pôr, igualzinho à novela; ou à ópera, mas principalmente à realidade. Esse, aliás, parece o consolo consabido - uma alimenta a outra. O difícil agora é que o enredo siga o ramerrã. E que quem tenha de responder pelo mal feito não seja o governo - mas a oposição. A ver a ópera e esperar o "grand finale".
Enio Squeff é artista plástico e jornalista.
domingo, 22 de abril de 2012
Música de Domingo -- Paisagem da Janela (Lô Borges com participação especial de Beto Guedes)
Essa música é quase um hino de Minas ou da mineiridade, como diria Guimarães Rosa. Ainda mais interpretada por Lô Borges (seu compositor) na companhia de Beto Guedes.
Ela também me traz deliciosas lembranças da adolescência em Botelhos e do grupo de amigos que virava noite tocando, cantando e se divertindo.
Ela também me traz deliciosas lembranças da adolescência em Botelhos e do grupo de amigos que virava noite tocando, cantando e se divertindo.
sexta-feira, 20 de abril de 2012
Wallerstein: Eleições na França e nos Estados Unidos: iguais e tão diferentes
Em 2012, duas eleições presidenciais muito importantes e
altamente disputadas ocorrem em França (22 de abril) e nos Estados Unidos (6 de
novembro). As mesmas questões estão praticamente a ser debatidas nos dois
países, e quase da mesma forma. Em ambos, o presidente é a figura política mais
poderosa. Mas há uma diferença muito grande: não na ideologia, mas nas regras
eleitorais. A diferença de regras dá origem a táticas eleitorais muito
diferentes.
Em ambos os países, há dois partidos principais que
historicamente se apresentaram como essencialmente de centro-direita e de
centro-esquerda. Observadores das mais variadas opiniões políticas estão de
acordo em que as verdadeiras políticas dos dois partidos, uma vez que chegam ao
poder, não são tão diferentes. E, no entanto, existem de facto algumas
diferenças que cada um considera cruciais, e elas motivam cada grupo a disputar
ferozmente as presidenciais.
Em ambos os países, existe o que se pode chamar de
extrema-direita e de esquerda radical. A extrema-direita e a esquerda radical
denunciam estes dois partidos “centristas” como “farinha do mesmo saco” e
defendem uma plataforma política que seja verdadeiramente de direita e
verdadeiramente de esquerda. Porém, esta defesa é levada a cabo de forma
bastante diferente, devido às grandes diferenças dos sistemas eleitorais.
Nos Estados Unidos, a eleição ocorre em 50 unidades
separadas – os estados – numa base de quem ganha leva tudo, para obter um
número específico de votos no que é chamado de “colégio eleitoral”. Este
sistema torna extremamente difícil a possibilidade de os “terceiros partidos”
terem uma influência real na decisão de quem é eleito. Ainda assim, há sempre
alguns que não se importam com isto e lançam candidatos, de qualquer modo. Às
vezes, essa decisão afeta os resultados nalguns estados, afetando assim os
resultados finais. Por exemplo, em 2000, alguns analistas argumentam que a
candidatura de Ralph Nader retirou votos do candidato democrata, Al Gore, que
foram suficientes para impedi-lo de ganhar em dois estados. Por isso, diz-se
por vezes que a candidatura de Nader resultou na eleição de Bush.
No passado, a extrema-direita nos Estados Unidos tendeu a
abster-se da participação eleitoral, argumentando que o Partido Republicano era
demasiado “liberal” para o gosto deles. Mas, há 20 anos, este grupo decidiu que
a grande forma de influenciar o futuro era entrar no Partido Republicano e
forçá-lo a escolher candidatos mais “conservadores”. Nestes dias, este grupo
está em grande parte reunido sob a etiqueta do “Tea Party”. Esta tática de
“entrismo” teve um enorme sucesso, e o Partido Republicano virou
significativamente à direita nos últimos cerca de doze anos.
Em França, as eleições funcionam de forma muito diferente.
Por uma grande diferença: são nacionais; não há subunidades eleitorais. Em
segundo lugar, a menos que um candidato receba mais de 50% da votação, há
sempre uma segunda volta eleitoral, na qual os dois partidos com as maiores
percentagens no primeiro turno passam a ser a única opção de escolha.
Este sistema permite – na verdade, encoraja – grupos de
todas as variedades políticas a apresentarem um candidato presidencial na
primeira volta, já que os eleitores sabem que podem dar o seu voto no segundo
turno a um dos dois principais partidos. A primeira volta funciona como uma
demonstração da força popular, servindo principalmente para influenciar,
esperam, as políticas do partido vencedor depois do segundo turno.
O sistema francês tem uma falha. Ambos os principais partidos
têm de ter uma votação suficiente para estar no segundo turno. Em 2002, e muito
excecionalmente, o partido de centro-esquerda, os socialistas, ficaram, por
pouco, atrás do partido de extrema-direita, a Frente Nacional, e por isso foram
eliminados. Por isso, este ano os socialistas estão a enfatizar a importância
do “voto útil” para que isso não volte a acontecer. O trauma dos democratas nos
Estados Unidos provocado pela votação em 2000 equivale ao trauma de 2002 dos
socialistas em França.
Em que ficamos? Nos Estados Unidos, o eventual candidato
republicano apresentar-se-á como “muito” conservador graças às pressões do Tea
Party, e por isso arriscam-se a perder votos para os chamados “moderados”, que
são mais “centristas”. O candidato democrata, que será o presidente Obama,
desiludiu muitos dos seus mais ardentes apoiantes virando fortemente à direita
durante o seu primeiro mandato. Agora está a tentar ganhá-los de volta para uma
plataforma mais “populista”, mas teme que, neste processo, possa perder alguns
dos moderados republicanos “desiludidos”. Em 2012, não há candidatos
significativos dos partidos menores à vista.
Em França, a situação é mais complicada. As sondagens atuais
mostram que os candidatos dos dois maiores partidos – Nicolas Sarkozy pelo
partido de centro-direita, a UMP, e François Hollande pelo centro-esquerda, os
socialistas – estão praticamente empatados na primeira volta. Contudo, cada um
tem menos de 30% dos votos. Os restantes 40-50% devem dividir-se entre três
outros candidatos: Marine Le Pen da Frente Nacional, de extrema-direita,
François Bayrou, de um partido centrista (que condena tanto a UMP quanto os
socialistas por não serem suficientemente centristas), e Jean-Luc Mélenchon
pela Frente de Esquerda, que conseguiu reunir em torno de si a maioria dos
votos da esquerda radical apesar da participação de outros partidos de
extrema-esquerda na eleição.
LePen, Bayrou, e Mélenchon têm cada um entre 14 e 18% dos
votos, por enquanto. Assim, nenhum deles parece ter possibilidades de chegar ao
segundo turno. O desempenho de Mélenchon tem sido a grande surpresa das
eleições. Mas também se prevê que se as sondagens mostrarem uma grande queda de
Hollande, talvez metade dos eleitores de Mélenchon votem em Hollande, para
evitar o risco de Le Pen ou Bayrou afastarem o socialista do segundo turno.
Contudo, se Mélenchon obtiver uma grande votação e Hollande
mesmo assim for ao segundo turno, duas coisas serão verdade. Uma, terá havido
uma clara mensagem aos socialistas de que precisam virar à esquerda politicamente.
A segunda é que a maioria dos eleitores de Mélenchon votarão em Hollande no
segundo turno. À direita, porém, a maioria dos eleitores de Le Pen ficarão
relutantes de votar em Sarkozy, e o Front National não dará essa indicação de
voto. Se o fizessem, minariam a sua própria base de existência.
O sistema francês parece funcionar melhor para a esquerda
radical. O sistema dos EUA parece funcionar melhor para a extrema-direita. Mas
o motivo principal são as diferentes regras eleitorais.
Imanuel Wallerstein,
Sociólogo estadunidense. Ex-professor
Universidade McGill, Montreal, até 1976, e na Universidade de
Binghamton, Nova Iorque, de 1976 a 1999
quarta-feira, 18 de abril de 2012
Mídia oligopolizada = desfaçatez
A mídia oligopolizada brasileira (que sempre nos tratou como
imbecilóides) acaba de criar mais um sofisma.
Para ela a CPI do Cachoeira só será possível graças ao
empenho da oposição farisaica. Por outro lado, na versão da mídia
oligopolizada, o PT e a Presidenta Dilma não queriam nem ouvir falar em CPI a
essa altura do campeonato.
É no mínimo impressionante
a desfaçatez e falta de vergonha dessa mídia. Não bastasse ter ungido
Demóstenes Torres como o paladino implacável da Justiça para depois, diante dos
fatos irrefutáveis, vê-lo afundado numa cachoeira de lama, agora tanta blindar
o governador de Goiás (Marconi Perillo) e jogar toda a lama que puder em cima do
governo do Distrito Federal.
A mesma mídia que durante a semana se esforçou em vender a
ideia de que era desnecessário uma CPI para investigar as ligações perigosas de
Carlinhos Cachoeira com parlamentares, mandatários e grupos do oligopólio
midiático, afirmando que isso não passava de uma estratégia avalizada e mal
avaliada por Lula com o intuito exclusivo de atingir Marconi Perillo (na visão
da mídia, que já não conseguimos distinguir o que é invenção do que é fato apurado, se é que
existe fato apurado por essa mídia) uma antigo desafeto do ex-presidente.
Entretanto de tudo isso o mais incrível e inacreditável ocorreu
nessa terça-feira quando a mídia estampou em letras garrafais nos seus
principais portais e veiculou nas tvs a informação que a oposição conseguiu um
número acima do necessário pra instalar a CPI do Cachoeira.
O que há de errado nisso além de discurso prática
contrários?
O que há de mais errado é a quase omissão que a tal CPI só
será possível graças a assinatura de todos os senadores do PT e de quase a
totalidade de seus deputados. Isso você não verá estampado na grande imprensa,
que Gramsci sabiamente definiu como Partido do Capital!
domingo, 15 de abril de 2012
sábado, 14 de abril de 2012
Ivan Lessa -- Que país é este? Já matou seu comunista hoje?
Por Ivan Lessa na BBC Brasil
Velhos slogans borrados nas paredes vêm-me à mente quando flagro, como um subversivo na noite, a notícia do que estão tramando as altas fontes do país.
Altas fontes, em geral, sabe-se, é cascata.
O que me é confirmado por alguns amigos ou melhor informados do que eu, ou, mais provável, agentes do SNI, do DOPS e seus atuais equivalentes nesta Grã-Bretanha que a cada dia que passa me lembra o Bananão, apelido intimista e desairoso com que era chamado nosso país, o mesmo que deu ao mundo o mais pesado que o ar e as poéticas cidades verticais a que chamam de favelas, onde mora uma gente boa e trabalhadora que vive mais pertinho do céu.
Voltando ao solo do Reino Unido, país onde resolvi armar minha barraca, em dia mais pessimista com distensões, lentas ou graduais, ando levando tanto susto quanto naqueles dias, no Rio de 1968, quando batiam-me à porta não sabia se era a senhora do apartamento 506 ou um funcionário à paisana do Cenimar.
A culpa será dos jornais? Estarão todos sob censura prévia criativa? Algum motivo deve haver para tanto celebrar o naufrágio do Titanic. Escolado, ocorre-me que a tragédia do embate embarcação contra pedra de gelo nada mais é do que uma preparação psicológica para os dias que vêm aí.
Os dias que vêm aí. Lá estava no jornal do dia 2 de janeiro em 2 sucintas colunas a notícia, supostamente especulativa, de que está em fase de estudo uma lei, já contando com uma boa maioria de parlamentares e autoridades, que tornaria os cidadãos britânicos e todos que nestas ilhas habitam sujeitos a uma sofisticadérrima vigilância na internet que tornaria este país mais rígido com seus cidadãos informatizados do que a China.
Sim, claro, há uma campanha por gente de bem que dá o sinal de alerta. Conheci muita gente de bem, nos brasileiros anos de chumbo, que caiu do helicóptero ou pelo gato foi comida. Prezo e temo por eles.
Aquilo que se propõe tornar lei é simples e direto como 200 volts nas partes pudendas ou pau-de-arara.
A principal agência de informações, a GCHQ (a central de comunicações do governo), teria, ou terá, o direito de monitorar todas as chamadas, todos os e-mails, textos, pesquisas e visitas a websites feitas por qualquer residente neste país.
As firmas que lidam com a internet poderiam, ou poderão, receber ordens ("Tejo preso!") no sentido de fornecer à agência de informações acesso em tempo real a toda e qualquer comunicação que lhe for ordenada.
Por Ivan Lessa via BBC Brasil
Diversos ministros insistem no fato de que é essencial para os serviços policiais e de segurança ter acesso aos dados enumerados acima afim de combater o terrorismo e proteger o público.
No momento, tudo isso pode ser obtido mediante mandado oficial, o que, pensam muitos, dá uma trabalheira danada e tempo para a subversão marchar para cima e para baixo com Deus e a Família pelo país inteiro espalhando a brasa viva e ardente da Tradição e da verdadeira Liberdade.
Com uma nova legislação mais rigorosa e ágil como Messi ou Cristiano Ronaldo disparando pelo miolo do campo adversário (esses terroristas...), as coisas se tornariam mais simples.
E a simplicidade – pergunte a qualquer chinês – é a alma do negócio dos pastéis.
Velhos slogans borrados nas paredes vêm-me à mente quando flagro, como um subversivo na noite, a notícia do que estão tramando as altas fontes do país.
Altas fontes, em geral, sabe-se, é cascata.
O que me é confirmado por alguns amigos ou melhor informados do que eu, ou, mais provável, agentes do SNI, do DOPS e seus atuais equivalentes nesta Grã-Bretanha que a cada dia que passa me lembra o Bananão, apelido intimista e desairoso com que era chamado nosso país, o mesmo que deu ao mundo o mais pesado que o ar e as poéticas cidades verticais a que chamam de favelas, onde mora uma gente boa e trabalhadora que vive mais pertinho do céu.
Voltando ao solo do Reino Unido, país onde resolvi armar minha barraca, em dia mais pessimista com distensões, lentas ou graduais, ando levando tanto susto quanto naqueles dias, no Rio de 1968, quando batiam-me à porta não sabia se era a senhora do apartamento 506 ou um funcionário à paisana do Cenimar.
A culpa será dos jornais? Estarão todos sob censura prévia criativa? Algum motivo deve haver para tanto celebrar o naufrágio do Titanic. Escolado, ocorre-me que a tragédia do embate embarcação contra pedra de gelo nada mais é do que uma preparação psicológica para os dias que vêm aí.
Os dias que vêm aí. Lá estava no jornal do dia 2 de janeiro em 2 sucintas colunas a notícia, supostamente especulativa, de que está em fase de estudo uma lei, já contando com uma boa maioria de parlamentares e autoridades, que tornaria os cidadãos britânicos e todos que nestas ilhas habitam sujeitos a uma sofisticadérrima vigilância na internet que tornaria este país mais rígido com seus cidadãos informatizados do que a China.
Sim, claro, há uma campanha por gente de bem que dá o sinal de alerta. Conheci muita gente de bem, nos brasileiros anos de chumbo, que caiu do helicóptero ou pelo gato foi comida. Prezo e temo por eles.
Aquilo que se propõe tornar lei é simples e direto como 200 volts nas partes pudendas ou pau-de-arara.
A principal agência de informações, a GCHQ (a central de comunicações do governo), teria, ou terá, o direito de monitorar todas as chamadas, todos os e-mails, textos, pesquisas e visitas a websites feitas por qualquer residente neste país.
As firmas que lidam com a internet poderiam, ou poderão, receber ordens ("Tejo preso!") no sentido de fornecer à agência de informações acesso em tempo real a toda e qualquer comunicação que lhe for ordenada.
Por Ivan Lessa via BBC Brasil
Diversos ministros insistem no fato de que é essencial para os serviços policiais e de segurança ter acesso aos dados enumerados acima afim de combater o terrorismo e proteger o público.
No momento, tudo isso pode ser obtido mediante mandado oficial, o que, pensam muitos, dá uma trabalheira danada e tempo para a subversão marchar para cima e para baixo com Deus e a Família pelo país inteiro espalhando a brasa viva e ardente da Tradição e da verdadeira Liberdade.
Com uma nova legislação mais rigorosa e ágil como Messi ou Cristiano Ronaldo disparando pelo miolo do campo adversário (esses terroristas...), as coisas se tornariam mais simples.
E a simplicidade – pergunte a qualquer chinês – é a alma do negócio dos pastéis.
Ivan Lessa -- Que país é este? Já matou seu comunista hoje?
Velhos slogans borrados nas paredes vêm-me à mente quando flagro, como um subversivo na noite, a notícia do que estão tramando as altas fontes do país.
Altas fontes, em geral, sabe-se, é cascata.
O que me é confirmado por alguns amigos ou melhor informados do que eu, ou, mais provável, agentes do SNI, do DOPS e seus atuais equivalentes nesta Grã-Bretanha que a cada dia que passa me lembra o Bananão, apelido intimista e desairoso com que era chamado nosso país, o mesmo que deu ao mundo o mais pesado que o ar e as poéticas cidades verticais a que chamam de favelas, onde mora uma gente boa e trabalhadora que vive mais pertinho do céu.
Voltando ao solo do Reino Unido, país onde resolvi armar minha barraca, em dia mais pessimista com distensões, lentas ou graduais, ando levando tanto susto quanto naqueles dias, no Rio de 1968, quando batiam-me à porta não sabia se era a senhora do apartamento 506 ou um funcionário à paisana do Cenimar.
A culpa será dos jornais? Estarão todos sob censura prévia criativa? Algum motivo deve haver para tanto celebrar o naufrágio do Titanic. Escolado, ocorre-me que a tragédia do embate embarcação contra pedra de gelo nada mais é do que uma preparação psicológica para os dias que vêm aí.
Os dias que vêm aí. Lá estava no jornal do dia 2 de janeiro em 2 sucintas colunas a notícia, supostamente especulativa, de que está em fase de estudo uma lei, já contando com uma boa maioria de parlamentares e autoridades, que tornaria os cidadãos britânicos e todos que nestas ilhas habitam sujeitos a uma sofisticadérrima vigilância na internet que tornaria este país mais rígido com seus cidadãos informatizados do que a China.
Sim, claro, há uma campanha por gente de bem que dá o sinal de alerta. Conheci muita gente de bem, nos brasileiros anos de chumbo, que caiu do helicóptero ou pelo gato foi comida. Prezo e temo por eles.
Aquilo que se propõe tornar lei é simples e direto como 200 volts nas partes pudendas ou pau-de-arara.
A principal agência de informações, a GCHQ (a central de comunicações do governo), teria, ou terá, o direito de monitorar todas as chamadas, todos os e-mails, textos, pesquisas e visitas a websites feitas por qualquer residente neste país.
As firmas que lidam com a internet poderiam, ou poderão, receber ordens ("Tejo preso!") no sentido de fornecer à agência de informações acesso em tempo real a toda e qualquer comunicação que lhe for ordenada.
Por Ivan Lessa via BBC Brasil
Diversos ministros insistem no fato de que é essencial para os serviços policiais e de segurança ter acesso aos dados enumerados acima afim de combater o terrorismo e proteger o público.
No momento, tudo isso pode ser obtido mediante mandado oficial, o que, pensam muitos, dá uma trabalheira danada e tempo para a subversão marchar para cima e para baixo com Deus e a Família pelo país inteiro espalhando a brasa viva e ardente da Tradição e da verdadeira Liberdade.
Com uma nova legislação mais rigorosa e ágil como Messi ou Cristiano Ronaldo disparando pelo miolo do campo adversário (esses terroristas...), as coisas se tornariam mais simples.
E a simplicidade – pergunte a qualquer chinês – é a alma do negócio dos pastéis.
Altas fontes, em geral, sabe-se, é cascata.
O que me é confirmado por alguns amigos ou melhor informados do que eu, ou, mais provável, agentes do SNI, do DOPS e seus atuais equivalentes nesta Grã-Bretanha que a cada dia que passa me lembra o Bananão, apelido intimista e desairoso com que era chamado nosso país, o mesmo que deu ao mundo o mais pesado que o ar e as poéticas cidades verticais a que chamam de favelas, onde mora uma gente boa e trabalhadora que vive mais pertinho do céu.
Voltando ao solo do Reino Unido, país onde resolvi armar minha barraca, em dia mais pessimista com distensões, lentas ou graduais, ando levando tanto susto quanto naqueles dias, no Rio de 1968, quando batiam-me à porta não sabia se era a senhora do apartamento 506 ou um funcionário à paisana do Cenimar.
A culpa será dos jornais? Estarão todos sob censura prévia criativa? Algum motivo deve haver para tanto celebrar o naufrágio do Titanic. Escolado, ocorre-me que a tragédia do embate embarcação contra pedra de gelo nada mais é do que uma preparação psicológica para os dias que vêm aí.
Os dias que vêm aí. Lá estava no jornal do dia 2 de janeiro em 2 sucintas colunas a notícia, supostamente especulativa, de que está em fase de estudo uma lei, já contando com uma boa maioria de parlamentares e autoridades, que tornaria os cidadãos britânicos e todos que nestas ilhas habitam sujeitos a uma sofisticadérrima vigilância na internet que tornaria este país mais rígido com seus cidadãos informatizados do que a China.
Sim, claro, há uma campanha por gente de bem que dá o sinal de alerta. Conheci muita gente de bem, nos brasileiros anos de chumbo, que caiu do helicóptero ou pelo gato foi comida. Prezo e temo por eles.
Aquilo que se propõe tornar lei é simples e direto como 200 volts nas partes pudendas ou pau-de-arara.
A principal agência de informações, a GCHQ (a central de comunicações do governo), teria, ou terá, o direito de monitorar todas as chamadas, todos os e-mails, textos, pesquisas e visitas a websites feitas por qualquer residente neste país.
As firmas que lidam com a internet poderiam, ou poderão, receber ordens ("Tejo preso!") no sentido de fornecer à agência de informações acesso em tempo real a toda e qualquer comunicação que lhe for ordenada.
Por Ivan Lessa via BBC Brasil
Diversos ministros insistem no fato de que é essencial para os serviços policiais e de segurança ter acesso aos dados enumerados acima afim de combater o terrorismo e proteger o público.
No momento, tudo isso pode ser obtido mediante mandado oficial, o que, pensam muitos, dá uma trabalheira danada e tempo para a subversão marchar para cima e para baixo com Deus e a Família pelo país inteiro espalhando a brasa viva e ardente da Tradição e da verdadeira Liberdade.
Com uma nova legislação mais rigorosa e ágil como Messi ou Cristiano Ronaldo disparando pelo miolo do campo adversário (esses terroristas...), as coisas se tornariam mais simples.
E a simplicidade – pergunte a qualquer chinês – é a alma do negócio dos pastéis.
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