segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Canal Livre e Band, até onde irão?

Isso é uma vergonha!!! É com o célebre jargão de Boris Casoy que começo a escrever essas linhas. Afinal o Canal Livre da Band de ontem (15/11/2009) não passou dum festival de ataques ao governo federal, ao PT e a pessoa do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O programa anunciou que trataria dos vinte anos da primeira eleição presidencial direta pós-1964, mas o que vi ali foram ataques torpes como mencionei acima e uma comparação entre as personalidades/governo de Collor (1990-1992) e de Lula (2003-2009), como se entre ambos nunca houvesse existido o governo tampão e debiloide de Itamar Franco com Fernando Henrique Cardoso na função (extra-oficial) de primeiro-ministro e depois mais oito anos de presidência do próprio FFHH.

Mas o que importava ali era apenas aproximar Collor e Lula e mostrar o quão perversos foram e são para a democracia brasileira. Lula foi durante todo o tempo tratado como general de um enorme exército de corruptos que aparelharam o Estado apoderando-se da burocracia estatal para controlá-la e encher as burras de dinheiro.

Os quatro cães de guarda – expressão sartreana para designar os pseudo-intelectuais defensores do estabilishment – membros da mesa, Boris Casoy, Antonio Teles, Fernando Mitre e Joelmir Betting acusaram o Presidente Lula de pragmatismo exasperado e sem limites, de promover o maior sistema de corrupção da História do Brasil, de ser leniente com o tráfico de influência, de aparelhamento do Estado e de nas “sábias” palavras de Antonio Teles, tratar o país como propriedade privada. Ah! claro, o Presidente Lula também foi acusado pelas dez pragas do Egito.

De resto fiquei esperando, sentado, na noite de ontem um debate de altíssimo nível sobre a eleição de 1989, uma divisão de águas dentro de nossa História republicana e tudo o que ocorreu no Brasil nos últimos vinte anos.

Aliás, ainda aproveitaram o programa (não seria sobre os vinte anos da eleição de 1989?), com reportagem requentada, para repercutir um pouco mais sobre o apagão de terça-feira passada e cutucar a ministra Dilma Rousseff.

Voltando a mesa com os sabujos, após a atuação de ontem Antonio Melo se candidatou simultaneamente a dois prêmios de peso. O de melhor desempenho como viúva de FFHH e o de melhor “cão de guarda” do ano. O nobre jornalista chegou inclusive a duvidar se o PT realmente colocará na rua o plano de comparar o governo Lula ao governo FFHH depois do “apagão” de terça-feira. Parece brincadeira, mas juro que Teles falou isso. A comparação entre os dois últimos governos será tão obvia e tão desgastante para o lado dos tucanos que até o insuspeito Aécio Neves assumiu isso durante a semana, segundo a igualmente insuspeita Folha de São Paulo.

A Band, assim como os demais veículos da mídia oligopolizada, já está escancaradamente em campanha pelo governador José Serra. Basta ver o modo como trataram o acidente no Rodoanel em São Paulo. Ali, nas palavras de José Luiz Datena, foi um acidente terrível, contudo o governo estadual já estava tomando as devidas providencias. Na hora me veio à cabeça o que o mesmo Datena disse em julho de 2007 quando centenas de pessoas morreram a bordo dum avião da TAM – que por sinal durante anos foi parceira da Band em transmissões esportivas – culpando o governo federal.

É bom lembrar que a Band pertence ao Grupo Bandeirantes, cujo dono João Carlos Saad, que prefere ser chamado de Johnny, recentemente tentou insuflar, em editorial lido por todos os meios de comunicação do grupo, ruralistas contra o governo federal, praticamente pregando guerra civil, por conta da revisão dos índices de produtividade rural – índices esses cuja revisão está prevista em Constituição para ser realizada a cada dez anos e que se mantêm inalterado desde a década de 1970. Não por acaso Johnny Saad é reconhecidamente grande latifundiário.

Rever os índices de produtividade rural me parece muito pouco hoje, por que não rever também as concessões públicas do grupo Bandeirantes? Afinal, será que ela tem cumprido o papel social que a Constituição de 1988 lhe exige? Ou estamos diante de um caso explicito onde interesses pessoais se sobrepõem ao interesse geral da sociedade e concessões públicas são utilizadas de modo irresponsável e criminoso?

Aí sim, para mim, está um dos grandes equívocos do governo Lula, se amedrontar e não atacar a mídia oligopolizada.

4 comentários:

Professor Marcelo Fonseca disse...

Essa é a mídia brasileira, "imparcial" e "democrática"...

Blog do Morani disse...

Gostaria somente de lançar uma pergunta bastante oportuna:
Não existirá em toda mídia brasileira um veículo que seja a favor do governo Lula? E, se não existe, por quê? Será ele obrigado a fundar um jornal, revista ou TV em seu próprio nome, para se defender de acusações desde o seu primeiro mandato? Ou usará a nossa mídia aquela assertiva do nazista Joseph Goebbels, encarregado da propaganda hitlerista, de que a a repetição contínua de uma "mentira" pode se tornar uma verdade?

Hudson Luiz Vilas Boas disse...

Caro Morani

A resposta para sua pergunta, está na última parte dela. Nossa mídia é sem dúvida discípula de Goebbels!!!

João Alexandre disse...

Os interesses privados tanto do Governo Lula, como da mídia brasileira estão no auge, ambos têm seus interesses particulares, ambos admiradores de Adam Smith.

Será que teremos algum governo público neste país algum dia ? Quem irá rever a questão das concessões públicas e democratização da mídia ?

1 - Dilma (não)
2 - Serra (nunca)
3 - Marina (O PV não deixará)
4 - Heloísa (talvez)
5 - N.D.A (certamente)

"ideologia eu quero uma pra viver"