segunda-feira, 11 de abril de 2011

50 anos da Baía dos Porcos

Via Nassif Online

HAVANA, 11 Abr 2011 (AFP) -Cuba festeja no próximo final de semana os 50 anos da derrota dos Estados Unidos na invasão contra Fidel Castro, na Baía dos Porcos, com um histórico VI Congresso do Partido Comunista, que marcará o rumo econômico e político da revolução.

Uma solenidade militar na Praça da Revolução, centro político da ilha, abrirá as comemorações no sábado. Nesta data se completa meio século que Fidel Castro proclamou o caráter socialista do regime, às vésperas do desembarque de 1.400 exilados armados pela CIA.

Como símbolo de compromisso com o futuro da revolução, milhares de jovens encerrarão o desfile, seguido depois, durante três dias, do VI Congresso do Partido Comunista de Cuba (PCC), o primeiro em 14 anos.

Mil delegados devem votar a reforma econômica do presidente Raúl Castro, renovar a estrutura do sistema do partido único e reeleger ou exonerar Fidel Castro, de 84 anos e afastado do governo desde que ficou doente em 2006, como chefe máximo do PCC.

Com a dramática advertência "ou retificamos ou afundamos", Raúl, de 79 anos, convocou a reunião para "atualizar" o modelo cubano, atrelado ao esquema centralizado soviético, "sem restaurar o capitalismo", nem separar-se do caminho socialista "irrevogável" que seu irmão traçou 50 anos atrás.

O Congresso, com um atraso de nove anos, será crucial, admitiu o governante, por ser o último com a participação da "geração histórica" que levou ao triunfo a revolução no dia 1º de janeiro de 1959 e travou batalhas como a da Baía dos Porcos.

Nesta "primeira grande derrota do imperialismo na América Latina" celebrada por Cuba, as forças comandadas por Fidel Castro venceram após 72 horas de sangrentos combates com os invasores que desembarcaram no dia 17 de abril de 1961 na Playa Larga e na Playa Girón, na Baía dos Porcos, a 200km ao sudeste de Havana.

"Voltem quantas vezes quiserem. Aqui os esperamos com fuzil na mão", disse à AFP Domingo Rodríguez, ex-combatente de 70 anos, na areia branca da Playa Larga, contando que ali mesmo Fidel afundou com um tiro de tanque o principal barco invasor.

Aprovada pelo presidente Dwight Eisenhower e assumida por seu sucessor John F. Kennedy, a operação começou no dia 13 de abril quando zarparam da Nicarágua os navios com os expedicionários da Brigada 2506, treinados em bases secretas neste país e na Guatemala.

Prelúdio da invasão, na manhã de 15 de abril seis aviões B-26 com falsas insígnias cubanas bombardearam duas bases aéreas em Havana e Santiago de Cuba (sudeste). A CIA esperava liquidar com esse ataque a força aérea cubana.

Na tarde de 16 de abril, no enterro de sete vítimas, em uma rua central de Havana, Fidel Castro, na época com 35 anos, declarou a natureza da revolução, após negar por anos que era comunista.

"Os imperialistas não puderam perdoar isto, que (...) tenhamos feito uma revolução socialista embaixo do nariz dos Estados Unidos", disse em seu vibrante discurso.

A invasão da Baía dos Porcos, que deixou 161 mortos nas fileiras de Castro e 107 na dos invasores - 1.189 prisioneiros foram trocados por 53 milhões de dólares em remédios e alimentos em 1962 -, marcou para sempre a relação entre os dois países, mais que qualquer outro conflito de sua longa inimizade.

A comemoração acontece em meio a novas tensões: Havana exige a libertação de cinco agentes cubanos presos nos Estados Unidos; Washington a de um contratista americano que foi condenado por Cuba, que o acusa de apoiar a oposição em uma "nova forma de invasão: "a ciberguerra".

Após uma curta trégua com o governo de Barack Obama, um desgelo das relações - rompidas em 1961 - parece distante. "Estamos prontos (a dialogar), mas sem subordinação a ninguém", disse recentemente Raúl Castro ao ex-presidente Jimmy Carter, de visita a Havana.

Há 50 anos, Fidel dirigiu as operações na Baía dos Porcos a partir do campo de batalha. Raúl deve agora enfrentar "as novas manobras" do "inimigo imperialista", mas também resistências internas à abertura econômica, para evitar o naufrágio da revolução.

Um comentário:

Tiago disse...

Creio que não haverá afastamento dos moldes socialistas, porém a adequação à situação atual é inerente a política cubana.
O povo não quer colocar em risco os ganhos da Revolução, mas exige a necessária reestruturação que acerte algumas falhas, como servidores públicos que não atuam como deveriam e as desigualdades criadas pelo turismo.
É hora de acompanhar e ter em mente que o bloqueio continua sendo o maior entrave ao desenvolvimento pleno de Cuba.
Pátria ou muerte: Venceremos!!!