quinta-feira, 8 de outubro de 2009

A novela da Reforma Agrária e MST

Por Yuri de Almeida Gonçalves

Após a ocupação do MST no centro-oeste de São Paulo no laranjal da Cutrale, a bancada ruralista representada pela senadora Kátia Abreu (DEM-TO), os deputados federais Ronaldo Caiado (DEM-GO) e Onyx Lorenzoni (DEM-RS) tem se manifestado na mídia apresentando o MST como movimento terrorista. O que escondem é que são cerca de 4 mil hectares grilados de plantação de laranja só na área citada.

Essa semana o IBGE revelou que no Brasil 46% de suas terras estão nas mãos de latifundiários, aumentando a concentração nos últimos 10 anos, o que não era para ter acontecido num governo popular. Ainda foi demonstrado pelo censo agropecuário que, propriedades com menos de 10 hectares controlam apenas 2,7% do território brasileiro e ainda, é a agricultura familiar que produz 85% do alimento que vai a nossa mesa, sendo o agronegócio ainda destinado ao mercado exportador, como os antigos plantations.

A bancada ruralista ainda quer barrar ou rever o índice de produtividade, que é a forma constitucional de analisar a distribuição fundiária do país para possíveis cálculos orçamentários destinados a reforma agrária.

EUA evitaram presença de latifúndio e formulou uma lei de terras que proporcionou um crescimento econômico rápido. Alemanha, Espanha, França, Itália, Inglaterra, países escandinavos e até Japão, Israel e Irlanda fizeram reforma agrária. O momento de maior crescimento da antiga URSS foi com Stalin que realizou reforma agrária. Não há registro de país que realizou distribuição fundiária sem desenvolvimento sócio-econômico aparente. Não obstante, todos os países que não realizaram reforma agrária permanecem subdesenvolvidos e com desigualdade social imensurável.

É simples entender porque os latifúndios travam o crescimento econômico: concentra renda e deixa de aquecer o mercado interno. O agronegócio apresenta bons números no cenário de exportação, mas a agricultura familiar apresentaria um número superior de lucros com distribuição. Só para se ter idéia, na área ocupada pelo MST na Cutrale mais de 130 famílias poderiam estar assentadas produzindo alimentos.

Impossível haver desenvolvimento sócio-econômico aonde há alta concentração de renda. A bancada ruralista está certa de atacar o MST e a reforma fundiária, defendem seus interesses, legislam em causa própria.

O BRASIL precisa voltar a discutir as reformas de bases de Jango: reformas educacional, tributária, política, agrária e MUITAS OUTRAS. O Sistema vive para o Sistema e a população paga a conta. Até quando?

Yuri de Almeida Gonçalves é bacharel em teologia, licenciado em História e especialista em História e Construção Social no Brasil radicado em Poços de Caldas. O seu e-mail é yuridemetal@yahoo.com.br

Um comentário:

Hudson Luiz Vilas Boas disse...

Um dos momentos mais marcantes da campanha de 1989 foi quando Lula, num dos debates na TV, mostrou recortes de jornais onde a notícia era sobre torturas e até "castração" que família de Ronaldo Caiado promovia em seus empregados. É esse tipo de gente que luta contra o MST, gente que acha que ainda estamos no feudalismo.