domingo, 14 de dezembro de 2008

Agnelli, presidente da Vale, quer suspensão de leis trabalhistas

14/12 - 09:48 - Agência Estado

O presidente da Vale, Roger Agnelli, defende medidas de exceção para enfrentar a crise econômica global. Agnelli tem discutido o assunto com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de quem é um interlocutor privilegiado.
Ele sugeriu a Lula a flexibilização temporária das leis trabalhistas, "para ganhar tempo até que a situação melhore", e afirma que aceita abrir mão do próprio salário. Segundo ele, a proposta já foi apresentada também a alguns sindicatos.

Um dos executivos mais bem-sucedidos do País, Agnelli está no comando da Vale desde 2001. Segunda maior mineradora do mundo, a Vale tem faturamento superior a US$ 30 bilhões por ano, emprega mais de 60 mil pessoas e está presente em mais de 30 países. Observador privilegiado do cenário global, Agnelli fala, em entrevista ao Estado das dificuldades e dos planos da Vale para 2009, e brinca ao falar da própria sorte: "Eu pedi a Nossa Senhora, de quem sou devoto, e ela ajudou. Mas eu também corri muito atrás dos meus objetivos."

Segundo ele, a Vale está preparada para enfrentar a crise. "Na indústria mundial de mineração, a Vale é a empresa que tem o maior volume de projetos para desenvolver, tem os melhores ativos e o maior caixa do setor." E empresa, segundo ele, investiu muito nos últimos anos e deve continuar assim. Em 2009, a meta é investir US$ 14 bilhões.

Segundo o executivo, estamos vivendo uma situação de exceção e, para lidar com ela, precisamos tomar medidas de exceção. "Eu tenho conversado com o presidente Lula no sentido de flexibilizar um pouco as leis trabalhistas. Seria algo temporário, para ajudar a ganhar tempo enquanto essa fase difícil não passa", afirmou. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.


Comentário meu: Temos um Presidente que teima em dizer primeiro que não há crise, depois que a crise não atingirá o Brasil e mais tarde que a crise atingirá o país, mas não de forma aguda, será breve e passageira. Até entendo que por conta do cargo que ocupa não possa tocar fogo no país e endossar como verídicas as análises mais catastróficas.

No entanto, podemos, não tenho certeza ainda, estar diante da maior crise do capitalismo desde a II ª Grande Guerra. Já escrevi sobre essas crises afirmando serem cíclicas e que, o sistema necessita delas tanto quanto vampiros necessitam de vitimas para sugar-lhes o sangue, e medidas no mínimo cautelares urgem. Bom, aí é que está o diabo. O governo na prática vive em enorme contradição, sua marca forte, dum lado aceita a crise formulando pacotes através de Medida Provisória, portanto sem debater com o Congresso, a fim de auxiliar entidades financeiras em problemas e uma após outra medida com intuito de socorrer montadoras – como se exatamente esses dois segmentos não tivessem lucrado gordo nos recentes tempos de bonança. Por outro lado, trata de negá-la ao manter intacta a autonomia do Banco Central que, por sua vez, insisti em nadar contra a corrente mundial e está impertubável na disposição de não mexer em nossa exorbitante taxa de juros, a maior entre os terráqueos.

Agora me aprece essa declaração do presidente da Vale, cavalheiro este, cujo o Presidente da República – segundo a grande imprensa, e, convenhamos, isso não deve ser levado muito a sério – tem entre seus interlocutores privilegiados.

Declarações como essa em tempos de crise me soariam ridículas, caso não fossem dum oportunismo grosseiro.

Um comentário:

Hudson Luiz Vilas Boas disse...

Fernando escreveu em 15/12/2008

Prezado Hudson

O Sr. Roger pode querer o que quiser. Por enquanto estamos numa democracia que nos confere alguns direitos. Quanto a ser contemplado na sua pedida é uma outra história. Se os nossos políticos atenderem seu pleito então estarão dando o atestado final de incompetência na sua inglória carreira e que voltem ao buraco de onde nunca deveriam ter saído.