segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Poços de Caldas: traições, vaidades e o poder pelo poder

A politica poços-caldense tem vivido dias bastante agitados neste interim entre o fim de 2011 e o início de 2012. O prefeito Paulinho Courominas resolveu trazer a tona uma série de desgostos sofrida por ele e as divergências entre ele e o grupo político ao qual pertence desde que saiu do Partido dos Trabalhadores pela porta dos fundos em 2004.

O prefeito num ato prepotente e antirrepublicano colocou na berlinda a maioria dos secretários municipais e integrantes do segundo e terceiro escalões da administração municipal ao exigir-lhes a desfiliação de DEM, PSDB e PV ou a entrega de seus respectivos cargos. A maioria optou pela segunda opção, ainda que depois tenham de forma ridícula pedido arrego através de nota amplamente veiculada pela imprensa local na qual suplicavam para o prefeito reconsiderar sua posição.

Courominas tem até aqui uma carreira política vitoriosa. Em 1996 foi eleito vereador, o primeiro pelo Partido dos Trabalhadores de Poços de Caldas. Em 2000 conseguiu se reeleger para o Legislativo municipal cravando o recorde de votos para vereador – marca que perdura até hoje. No mesmo ano teve importante participação na eleição de seu então companheiro de partido Paulo Tadeu para prefeito municipal. Em 2004, já no PPS, foi eleito vice-prefeito na chapa de Sebastião Navarro Vieira Filho. E em 2008 finalmente chegou ao cargo de prefeito municipal de Poços de Caldas.

Durante o governo Paulo Tadeu a convivência entre Courominas ¬– àquela altura uma importante liderança na Câmara Municipal e detentor de enorme carisma popular ¬– e o prefeito ¬– um político de perfil egocêntrico e centralizador – não foi das mais tranquilas, culminando com a decisão do PT local de lançar a também vereadora e petista histórica Ana Guerra como candidata à deputada federal, preterindo o nome de Courominas. Pouco depois ficou patente para Courominas que a guerra de egos entre ele e Paulo Tadeu era grande demais para o PT poços-caldense. A ruptura se deu de maneira nada amistosa com Courominas deixando o PT e migrando rumo ao PPS, nesse período ainda base do governo Lula e já contando com o ex-prefeito Geraldo Thadeu (eleito deputado federal pelo PSDB em 2002).

Na arena local Courominas se aproximou do grupo político liderado por: Sebastião Navarro Viera Filho (PFL) ex-prefeito e então deputado estadual; Carlos Mosconi (PSDB), então assessor especial do governador Aécio Neves; e Geraldo Thadeu.

Interessante que enquanto oposição a este grupo Courominas participou do enterro simbólico de Sebastião Navarro carregando o caixão do imaginado defunto político e anos depois o mesmo Courominas exerceria papel fundamental na recondução de Navarro ao prédio da Avenida Francisco Salles, impedindo assim a reeleição de Paulo Tadeu.

Por essas histórias dá pra notar como coerência e fidelidade a qualquer ideal não fazem parte do vocabulário de Courominas.

Mas qual o motivo da atual ruptura? O mesmo motivo da ruptura com o PT em 2004. Ou seja, busca por espaço, o que significa projeto pessoal batendo de frente com outros projetos pessoais.

Eleito prefeito em 2008 ao impor uma derrota fragorosa a seu antigo desafeto Paulo Tadeu, Courominas vem fazendo uma administração desastrosa e vergonhosa. Em termos gerais segue a mesma linha de seu antecessor, Navarro, a quem há pouco tempo reverenciava como mestre (muito embora num passado não tão longínquo o tenha chamado de coronel), inclusive mantendo boa parte do staff herdado.

No entanto mesmo repartindo os cargos de poder na administração municipal com os caciques do tríade Navarro – Mosconi – Geraldo, Courominas sempre se viu numa posição subalterna a estes caciques, uma espécie de “patinho feio”. Isto ficou evidente quando em 2010 esses caciques empenhados em seus projetos pessoais – Mosconi candidato a deputado estadual e Geraldo a deputado federal, enquanto Navarro, àquela época Secretário de Estado de Desenvolvimento Regional e Política Urbana coordenava a campanha de Anastasia ao governo estadual – se distanciaram de Courominas e o deixaram a margem do pleito eleitoral. Tais fatos se deveram em parte a baixíssima popularidade de Courominas – vale lembrar que no mesmo ano estourou a polêmica em torno do SIGA – mas também por conta de divergências internas e sobretudo a forma como o prefeito sempre tratou essas divergências. Também contribuiu para o esfriamento das relações entre Courominas e os caciques a aproximação do prefeito com o empresário Ricardo Pereira de Melo e com o ex-prefeito Luiz Antônio Baptista, figuras que Navarro considera personae non gratae.

Ao que tudo indica Courominas buscou desde sua eleição em 2008 a garantia de que seria candidato natural a reeleição com apoio irrestrito do grupo político dos caciques. Contudo o receio de se ver abandonado por este grupo o levou a se aproximar de figuras estranhas, o que acabou alimentado divergências internas.

Por outro lado, aproveitando-se da baixa popularidade de Courominas e dessas divergências internas o deputado federal Geraldo Thadeu tomou para si a responsabilidade de estruturar o PSD de Kassab no Sul de Minas e iniciou articulações a fim de se colocar como candidato a prefeito de Poços de Caldas. Essa movimentação de Geraldo, embora Courominas jamais reconheça isso, e a clara predileção de Navarro e Mosconi por Geraldo foi a gota d’água para o rompimento de Courominas com seu novo-antigo grupo.

Para entendermos melhor as razões da predileção por Geraldo Thadeu é preciso clarear um pouco as coisas.

Com Geraldo Thadeu a frente do Executivo Municipal Mosconi fica com o caminho livre para tentar o retorno a Câmara dos Deputados e abrir sua (pseudo) vaga na Assembleia Legislativa para o filho Alcides (isso escutei de um afilhado do grupo dos caciques e que atualmente trabalha em BH com Anastasia). Por outro lado Navarro sonha em ver sua filha Tereza sucedendo-o nos passos políticos assim como ele sucedeu ao pai (o próprio Navarro já declarou isso diversas vezes, inclusive numa entrevista coletiva concedia na última sexta-feira). Courominas afirma que Navarro gostaria que Tereza fosse candidata à prefeita já em 2012, o que não acredito. Penso que Navarro está disposto a lançá-la candidata a deputada estadual daqui a dois anos.

Ademais Geraldo Thadeu como prefeito de Poços abre caminho para as pretensões dos principais caciques políticos do Sul de Minas e por ora acomoda as divergências internas, enquanto a manutenção de Courominas poderia ser um complicador e trazer ainda mais desgaste a um grupo já desgastado por anos agarrado ao poder.

Quanto à pré-candidatura de Navarro a prefeito, trata-se no momento de um blefe. Navarro já havia anunciado sua suposta aposentadoria, porém todos sabem que um político experiente, matreiro e, sobretudo, vencedor como ele não abandonaria tão docilmente a vida pública. Navarro nunca ficaria de fora das articulações do grupo de caciques para as eleições municipais, afinal é justamente ele o principal cacique desse grupo. Apesar disso Navarro sabe que sua hora enquanto homem de frente da administração municipal já passou e um embate entre cria e criador pode, junto ao natural desgaste de ambos, despertar uma outra alternativa, até então adormecida.

10 comentários:

Tiago Fidel disse...

Creio que nosso trabalho seja agora partir para ocupar essa "terceira via" adormecida, apresentando um nome que seja soma renovação, honestidade e capacidade de gestão. Esse é o desafio para não deixar a brecha se fechar...

Alexandre Guimarães disse...

Em primeiro lugar gostaria de ressaltar e parabenizar, pelo texto, o camarada Hudson; uma grande capacidade de análise e síntese.Em relação a atual conjuntura, penso, que é o grande momento de construção de um bloco de oposição ( se for o caso não necessariamente de esquerda), mas que possua capacidade real de articulação e consiga apresentar um nome forte e com boa aceitação. É o momento de um grande projeto coletivo,popular,democratico e participativo...penso que o maior desafio é fazer o povo compreender a importância desse momento político, e com ele construir a realidade que esperam e merecem.Abraço a todos os camaradas!

João Alexandre disse...

É hora da "terceira via" em Poços.
Concordo com o Tiago!!!!!

Me disponho na construção de uma outra alternativa para Poços!!!!

O "embrião" é agora!!!!

Hudson Luiz Vilas Boas disse...

Poços precisa de um projeto político-social-cultural pra cidade e não de projetos políticos pessoais. Quanto ao grupo de caciques sabemos que só têm projetos em proveito do próprio grupo. E a hora desse projeto político-social-cultural e dessa terceira via está chegando.

Tiago Fidel disse...

Mas não tomemos Tony Blair como referência....kkkkkkkkkk.

João Alexandre disse...

Refletindo sobre Giddens, temos que tomarmos cuidado sobre a terceira via mesmo Tiago!!!

Continuismo fragmentado ou outra alternativa ?

Tiago Fidel disse...

A grande dificuldade, é que sempre vem à tona essa necessidade sempre na mesma época: a proximidade do pleito.
Sem ser nesse período, sempre os mesmo se mantém discutindo e tentando construir algo, enquanto aos demais "políticos" a preocupação maior é o fatiamento de cargos e os interesses privados. é hora de construir realmente, Camarada João, uma nova alternativa para o município, nem que seja para arriscar algo muito diferente de tudo aquilo que até hoje vimos.

Paulo Tadeu disse...

Não basta ter um bom texto, é preciso saber do que está falando. Um grande e frateno abraço. Paulo Tadeu

Hudson Luiz Vilas Boas disse...

Paulo Tadeu

Você conhece a história muito melhor que eu. Afinal você é um dos protagonistas da história política de Poços na última década e meia. O que escrevi esboça meu ponto de vista baseado em minha interpretação dos fatos, porém distante dos bastidores. No mais quero lhe dizer que o Dissolvendo no Ar estará aberto para que você possa colaborar,esclarecer, rechaçar ou mesmo me contradizer quando assim achar necessário.
Um fraterno abraço.

Paulo Tadeu disse...

Hudson
Prefiro fazer esse debate no partido. Abraço
Paulo Tadeu