quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Sinais dos tempos

Ontem ouvi de um amigo que no estatuto do PCdoB deve ter algo do tipo: “no último minuto, venda-se”. É claro que isso é uma piada e de minha parte sempre admirei o PCdoB. Inclusive já votei nesse partido algumas vezes. Em 2006 meu voto ajudou a eleger a deputada federal Jô Moraes – quem eu conheci pessoalmente ano passado durante a greve dos servidores da Educação da rede estadual de Minas e passei a manter certo contato. Em 2006 também votei em Wadson Ribeiro para deputado estadual e mais recentemente em 2010 votei em Zito Vieira para o Senado.

Bom, então por qual razão começo o texto fazendo uma piada, talvez até sem graça, com o PCdoB e depois exponho que já votei nesse partido várias vezes? Pela simples razão de a contradição ser parte intrínseca de nossa existência humana. No entanto, não podemos confundir contradição com incoerência e menos ainda com incongruências e oportunismo. E infelizmente são justamente incoerência, incongruência e oportunismo o que vemos na postura do deputado federal Aldo Rebelo (PCdoB – SP).

Rebelo foi crítico atroz do governo FHC e ganhou os holofotes ao presidir a CPI da Nike – CPI esta que não chegou à conclusão alguma, basta ver que Ricardo Teixeira completará daqui a dez dias exatos 22 anos ininterruptos à frente da CBF e a Nike continua a ter um enorme poder dentro da instituição que cuida do futebol nacional. Já no governo Lula foi inicialmente líder do governo na Câmara e posteriormente titular da Secretaria de Coordenação Política e Assuntos Institucionais da Presidência da República. Enquanto Secretario de Articulação Política viu o governo Lula passar por momentos de verdadeira desarticulação, muito por conta da sobreposição de tarefas entre sua pasta e a Casa Civil então comandada por José Dirceu. Uma das atitudes de Rebelo nesse período Rebelo, e a que melhor me recordo, foi o longo artigo publicado na Folha de São Paulo onde o “comunista” tecia loas ao ex-presidente José Sarney e o respeito que o califa do Maranhão sempre demonstrou para com a (sic) democracia. Já a desarticulação política daquele período foi responsável pelas piores crises vivenciadas pelo governo Lula ao longo de seus dois mandatos. Além da crise do mensalão, houve a precedente crise na Câmara dos Deputados onde o líder do “baixo clero”, Severino Cavalcanti (PP-PE), galgou o posto de presidente da Casa em 2005. Como Severino Cavalcanti não reunia minimamente qualquer condição de ser presidente da Câmara e caiu por estelionato ao cobrar “mensalinho” de um restaurante, fez-se necessário a realização de eleições extraordinárias para a mesa da instituição e Aldo Rebelo, de volta ao Congresso, acabou sendo eleito presidente da Câmara. O mandato tampão de Rebelo passou quase que despercebido e em 2007 Rebelo passou, a contragosto, a cadeira para Arlindo Chinaglia (PT-SP).

De lá pra cá Rebelo tem se esforçado de maneira sobre-humana para manchar o que poderia haver de bom em sua biografia. Durante o caloroso debate em torno da reserva florestal Raposa Serra do Sol empunhou a bandeira mais conservadora que encontrou e defenestrou com toda a força a demarcação defendida por grupos ambientalistas, humanistas e pelo próprio governo. Em muitos momentos cheguei inclusive a pensar que o antigo comunista havia se convertido à Família Tradição e Propriedade dada à virulência e as palavras utilizadas em sua retórica anti Raposa Serra do Sol.

O desdobramento dessa retórica e da defesa desenfreada de valores que antes Rebelo parecia não comungar ficou ainda mais nítido quando em 2010 foi relator do projeto que altera o Código Florestal brasileiro. Um de seus argumentos em prol da alteração me parece singular: "é melhor alterarmos [o Código Florestal] já que grande número de fazendeiros não o obedece”.

O problema é que as mudanças defendidas pelos representantes do agronegócio vão na contramão de fatores que levaram o Brasil ao menor nível de derrubada na Amazônia Legal em 23 anos. O Código Florestal brasileiro é visto por ambientalistas como uma legislação extremamente avançada em termos de preservação, especialmente se tomado em conta o pioneirismo das medidas implementadas a partir das primeiras décadas do século 20 e consolidadas em 1965. Por isso, as modificações poderiam ter um caráter de incentivo ao desmatamento.

Pela defesa intransigente das alterações no Código Florestal Aldo Rebelo tem recebido muitos elogios por parte do agronegócio ao mesmo tempo que passa a ser visto com desconfiança e suspeita por parte dos setores mais progressistas e de esquerda. Um exemplo: "O Aldo (Rebelo) é um exemplo muito interessante para o Brasil (...) A gente se entende não é de agora. Gosto de repetir que, se não fosse o Aldo Rebelo, ainda não teríamos transgênico funcionando no Brasil", palavras de Kátia Abreu, presidente da Confederação Nacional da Agricultura e famosa por considerar que trabalho escravo no meio rural brasileiro é apenas descumprir certas normas. Quem sabe Aldo, Kátia e demais ruralistas não tenham na verdade uma secreta admiração pelos “fire-eaters” do século XIX (extremistas sul estadunidenses pró escravatura e trafico de negros africanos).

Agora Aldo Rebelo está louquinho pra voltar a sentar na cadeira de presidente da Câmara dos Deputados e vejam só o sinal dos tempos: certamente terá o apoio dos ruralistas nessa empreitada. O que leva a outro sinal dos tempos: um “comunista” na presidência da Câmara dos Deputados pode representar enorme retrocesso para nossas instituições democráticas.

6 comentários:

Anônimo disse...

vc ta muito mal informado colega a redução do desmatamento na amazonia não tem nada a ver com o codigo ate pq as alterações feitas em 2001 no tempo do FHC e que foi redigida na sede do greenpeace nunca entraram em vigor simplesmente pq colocariam todo a agricultura brasileira na ilegalidade e não e para com essa bobagem de a favor do agronegocio pq os grandes beneficiados com as mudanças serão os pequenos agricultores que produzem a maior parte do que comemos veja la no tse quem contribuiu com a campanha do aldo foram associações de pequenos agricultores e não a monsanto sai ai de sp e vem pra campo se informa melhor colega ai depois fala e quanto a raposa serra do sol lebreçe que a demarcaçao continua foi resultado de intenso lobby estrangeiro fica no fronteira com a guiana onde os EUA tem bases militares então pense bem em que ta certo

Cleiton Corrêa disse...

Opa!

Não acompanho bem Aldo Rebelo, lembro mais, realmente, do período em que esteve dirigindo a Câmara de deputados. Porém, eu vejo o próprio PCdoB como um partido oportunista. Tenho amigos no PCdoB, já marchei ao lado deles, mas a crítica cabe. E uma outra coisa é o controle do PCdoB sobre a UNE, algo ditatorial, vergonhoso.

Abraço!

Anônimo disse...

Rapaz, nada do que você diz faz sentido ou tem relação com a verdade. Aldo Rebelo é um parlamentar notável, preocupado com a fome e lutando para manter comida barata no prato dos brasileiros. Quem defende este Código Florestal é gente de ONG estrangeira. Ou será que você não sabe que o Código (de 1965) proíbe a produção de arroz nas várzeas que é feita no Brasil com licença ambiental há mais de 100 anos? Não sabe também que este mesmo Código precisa mudar porque ele proíbe o café em topo de morro o que vai inviabilizar todo a produção de Minas e do Espírito Santo? Sim, rapaz, vá estudar antes de falar. Se o Código for mantido vamos acabar com a produção brasileira de arroz e importar arroz dos países asiáticos que não têm código florestal, nem lei ambiental alguma nem coisa nenhuma. Café vamos buscar nos morros da Colômbia, onde ambientalista não faz a cabeça de ninguém. Aldo Rebelo estudou profundamente o assunto antes de emitir seu parecer. Aprenda a ter um pingo de respeito pelas pessoas. Respeite também a senadora Kátia Abreu, parlamentar séria e responsável, que jamais disse nada do que você escreveu aí. Aliás, só li essas bobagens porque o Google divulga todo o material que envolve os nomes de parlamentares. Você realmente é muito mal informado, além de tendencioso.

PS: Leia o blog "Código Florestal" de um engenheiro florestal independente (ciro é o nome dele) para entender o assunto antes de emitir opiniões tão equivocadas. E continue acreditando em besteiras que você vai acabar fazendo post elogiando o grande ambientalista norte-americano Al Gore. Afinal, você deve realmente acreditar que o ambientalismo é uma coisa pura e que nada tem a ver com lobby ou o jogo de interesses dos países ricos. Acorda, rapaz!!!! Ou você acredita também em anjos da natureza? Aliás, sabe o que o Lula falava disso tudo? Que a pretexto do ambientalismo estão tentando impedir que o Brasil (o 2º maior produtor de comida barata e saudável do mundo) continue avançando.

Sara Carvalho
saracarvalho56@yahoo.com.br

Anônimo disse...

Rapaz, nada do que você diz faz sentido ou tem relação com a verdade. Aldo Rebelo é um parlamentar notável, preocupado com a fome e lutando para manter comida barata no prato dos brasileiros. Quem defende este Código Florestal é gente de ONG estrangeira. Ou será que você não sabe que o Código (de 1965) proíbe a produção de arroz nas várzeas que é feita no Brasil com licença ambiental há mais de 100 anos? Não sabe também que este mesmo Código precisa mudar porque ele proíbe o café em topo de morro o que vai inviabilizar todo a produção de Minas e do Espírito Santo? Sim, rapaz, vá estudar antes de falar. Se o Código for mantido vamos acabar com a produção brasileira de arroz e importar arroz dos países asiáticos que não têm código florestal, nem lei ambiental alguma nem coisa nenhuma. Café vamos buscar nos morros da Colômbia, onde ambientalista não faz a cabeça de ninguém. Aldo Rebelo estudou profundamente o assunto antes de emitir seu parecer. Aprenda a ter um pingo de respeito pelas pessoas. Respeite também a senadora Kátia Abreu, parlamentar séria e responsável, que jamais disse nada do que você escreveu aí. Aliás, só li essas bobagens porque o Google divulga todo o material que envolve os nomes de parlamentares. Você realmente é muito mal informado, além de tendencioso.

PS: Leia o blog "Código Florestal" de um engenheiro florestal independente (ciro é o nome dele) para entender o assunto antes de emitir opiniões tão equivocadas. E continue acreditando em besteiras que você vai acabar fazendo post elogiando o grande ambientalista norte-americano Al Gore. Afinal, você deve realmente acreditar que o ambientalismo é uma coisa pura e que nada tem a ver com lobby ou o jogo de interesses dos países ricos. Acorda, rapaz!!!! Ou você acredita também em anjos da natureza? Aliás, sabe o que o Lula falava disso tudo? Que a pretexto do ambientalismo estão tentando impedir que o Brasil (o 2º maior produtor de comida barata e saudável do mundo) continue avançando.

Sara Carvalho
saracarvalho56@yahoo.com.br

Hudson Luiz Vilas Boas disse...

Sara e Cleiton
Antes de escrever sobre o Código Florestal, podem ter certeza que li e discuti com várias pessoas sobre o assunto. Agora (Sara) vir dar exemplo os países asiáticos onde o desrespeito ao meio ambiente é conhecido por todos ou a Colômbia onde os dirigentes sindicais são perseguidos e assassinados, é querer nivelar a discussão. No mais o que eu disse sobre a Kátia Abreu tirei de uma fonte insuspeita, uma entrevista da senadora pra Revista Veja, inclusive o link está no próprio texto.
inté

Hudson Luiz Vilas Boas disse...

Sara, quando eu escrevi nivelar, entenda nivelar pra baixo...