sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Sobre a greve dos servidores da Educação: Botando o pingo no i

Os servidores da rede estadual de Educação de Minas Gerais completam nessa sexta-feira 94 dias em greve. No entanto alguém que se ache no direito de analisar os motivos pelos quais a greve até o momento não obteve adesão em Poços, deveria, ao menos, refletir mais antes de tirar conclusões apressadas.

Para falarmos sobre um movimento tão grande e complexo como a greve dos servidores da Educação de Minas faz-se necessário: não deturpar os fatos, não usar de meias palavras, não agir de má fé (isso eu sei que para alguns é impossível!!!)

Grande parte dos servidores da rede estadual de Educação está em greve, e dentre eles há os contratados como alguém mencionou. Mas também há servidores concursados e os conhecidos por “efetivados” – aqueles que ganharam a estabilidade em 2007 graças a Lei Complementar 100.

Porém jogar nas costas dos contratados a responsabilidade pela greve não ter surtido efeito em Poços de Caldas é inescrupulosamente desonesto – sei que algumas pessoas não conhecem o antônimo desse adjetivo, mas não encontrei outro melhor.

Para explicar como anda a greve em Poços acredito ser honesto fazer as seguintes observações:

1-Quando determinada categoria, através de seu sindicato, decide entrar em greve, essa decisão não pode ser autoritária, impositiva a todos os profissionais daquela categoria. Muito pelo contrário, o sindicato deve primar pelo respeito à democracia e diversidade de opinião, justamente, e de certo modo paradoxalmente, para assegurar um de seus objetivos, o direito de liberdade de expressão garantido pela Constituição.

2-Em Poços de Caldas houve várias assembleias convocadas pela direção da subsede local do Sindi-Ute e, em todas essas assembleias, mesmo depois de deflagrada a greve no início de junho, ficou clara a dificuldade em conseguir convencer os membros da categoria a paralisarem. Portanto, há, mesmo que de forma equivocada a meu ver, uma deliberação promovida pelos próprios interessados no assunto em não aderirem ao movimento grevista. No momento Poços de Caldas não conta com nenhum professor ou outro servidor lotado na Secretaria Estadual de Educação que tenha aderido ao movimento grevista.

3-Ano passado também houve uma greve da mesma categoria e, diferentemente do que ocorre esse ano, foi registrada uma boa adesão em Poços, inclusive dos contratados. Portanto, não é o fato de ser ou não contratado que define a adesão ou não ao movimento grevista.

4-Qualquer professor pode ser idealista, pragmático, realista ou o que queira. Eu, particularmente, me considero idealista, mas antes, sei respeitar uma decisão “coletiva”. Já dizia Sartre: “discussão interna, unidade externa”. Não uso essa decisão coletiva para me esconder, afinal, dentro da escola onde trabalho – como escrevi outro dia, não fico esperando surgir uma parada arrumada por algum político para ajeitar o meu lado – todos os meus companheiros de profissão sabem bem minha posição: pró-greve. Mas, como o céu não é tão azul quanto eu gostaria, sou forçado pelas circunstâncias a me curvar, ainda que com minha consciência nada tranquila, e acatar decisões tomadas de maneira coletiva. Isso não me torna menos idealista, pois posso canalizar o que acredito de várias formas, sendo que uma dessas é manter firme e inabalável tanto meu caráter quanto minha integridade moral e ética.

Espero que isso possa esclarecer a questão a quem de fato tiver interesse no assunto e que, obviamente, não esteja apenas usando o assunto com má fé e desonestidade, sofismando sobre algo apenas para atacar gratuitamente aqueles que não comungam de seus métodos – eufemisticamente falando – oportunistas.

6 comentários:

Anônimo disse...

Oi Hudson, achei desprezível a sua colocação ...e os conhecidos "efetivados"...
grande abraço Thaís

Hudson Luiz Vilas Boas disse...

Thaís

Em nenhum momento usei o termo conhecidos por "efetivados" de maneira pejorativa. Essa divisão entre efetivados, concursados e designados só interessa ao governo estadual.Somos todos profissionais da Educação e ponto.
No entanto, todos sabemos os motivos que levaram o governo do estado a promulgar a Lei Complementar 100 e com certeza não foi pensando no bem da categoria ou melhoria da Educação.

Anônimo disse...

Hud, tb achei desprezível seu texto. Tá horrível para um educador. Nossa, parece coisa de pirraça. A classe sabe que na hora do vamos ver, você corre pra defender o teu.
Credo! Horrível...

Hudson Luiz Vilas Boas disse...

Caro L.., Ah, perdão, Anônimo

Não sei de qual classe você se refere quando escreve na "hora do vamos ver, você corre pra defender o teu"...

Pois da minha categoria, os profissionais da Educação de Minas, tenho certeza que não é!!!

Ah, da próxima vez pode usar seu nome, porque o truque do anônimo, no teu caso, não cola...

Professor Marcelo Fonseca disse...

ótimo texto Hudson, não senti em nenhum momento ofensa aos efetivados. O sr anestesia conseguiu o que queria... rachou a categoria. Estaremos sempre na luta e sei que podemos contar contigo. Mesmo designados, empenhamos muito na campanha grevista do ano passado. Acho que o(a) anônimo(a) não sabe o que é ser recebido pela tropa de choque do governo em uma manifestação. Nós sabemos! um abraço!

Hudson Luiz Vilas Boas disse...

Marcelo
Grande amigo e companheiro,
Obrigado por lembrar a forma como fomos recebidos ano passado na Praça da Liberdade. Tropa de Choque, escopetas, metralhadoras, cassetetes, cães e helicópteros foi como o boneco de ventríloquo veio negociar conosco.
A Thaís, eu conheço e sei do seu comprometimento com a Educação, já o (L...) Anônimo, esse é pura dor de cotovelo.